Queer 2010 – Destaques para o dia 20 Setembro

O realizador alemão Michael Stock estará presente no Cinema São Jorge para apresentar o seu documentário “Postcard to Daddy” (Sala 3, 21h30). Michael foi abusado em criança pelo próprio pai. Este documentário acompanha a sua busca por um sentido de paz interior 25 anos mais tarde, numa montagem de excertos de conversas com amigos, familiares, entre relatos e reflexões. Com este documentário, o objectivo do realizador não é o de acusar o criminoso, mas sim compreendê-lo. No final, ele entrega o seu vídeo “Postal” ao pai e, com a câmara de filmar, confronta-o com o passado. A seguir à sessão terá lugar um Debate sobre Abuso Sexual de Menores, com a presença de Michael Stock, de Daniel Cotrim, da APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, e Paulo Jorge Vieira, da Associação Não te Prives.

Em competição para melhor longa-metragem passa “BoY” (Sala 1, 22h00) do realizador filipino Auraeus Solito, autor do já célebre “The Blossoming Of Maximo Oliveros”, um dos mais bem sucedidos e premiados títulos do cinema queer da última década. O protagonista da história é um jovem e promissor poeta que, num bar gay local, observa o macho dancer Aries e nele descobre o que é a atracção física. Esta é uma história romântica de um rapaz sensível que dá os seus primeiros passos no amor e que vai aprendendo a ganhar confiança na sua sexualidade.

Na Sala 1, às 19h30, passa o filme “Marrocos” (1930), do austríaco Josef von Sternberg, numa cópia de 35mm gentilmente cedida pela Cinemateca Portuguesa. Amy Jolly (Marlene Dietrich), prestes a embarcar em Marrocos com destino a um cabaret em Paris, cruza-se com o recém-chegado legionário Tom Brown (Gary Cooper). Apesar do seu desencanto com os homens e da rudeza de Tom, ambos se descobrem irremediavelmente atraídos um pelo outro. Depois de Tom ser enviado a uma perigosa missão no deserto e acabar ferido, Amy tem de tomar uma difícil decisão? Este é um filme de referência queer não só pela famosa cena em que Dietrich, travestida de homem, beija nos lábios uma das clientes do cabaret, mas pelas inúmeras rupturas com as convenções que esta obra elabora.

Em sequência à exibição de “Marrocos”, o Espaço da Memória propõe  o programa As Nossas Divas: Marlene Dietrich. Considerada por muitos a “Dietrich portuguesa” teremos connosco a actriz Lia Gama, que recriou muitas vezes a tradição do cabaret alemão nos seus espectáculos e performances. Lia Gama será ainda desafiada a interpretar temas de Dietrich e, de seguida, contaremos com algumas imagens arquivo da RTP, evocativas de ambas as actrizes.



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