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Festival Política Regressa a Lisboa em Setembro com Foco nos 50 Anos da Constituição

Selma Uamusse, Ana Markl, emmy Curl e Nayr Faquirá sobem ao palco entre 24 e 26 de setembro, numa 10.ª edição gratuita dedicada aos direitos humanos e à cidadania.

O Festival Política, o maior evento dedicado aos direitos humanos e à cidadania em Portugal, chega à sua 10.ª edição e regressa a Lisboa entre os dias 24 e 26 de setembro de 2026. A edição lisboeta nasce de uma coprodução entre a Associação Isonomia e a Junta de Freguesia de São Vicente, com entrada gratuita em todos os espetáculos. Em 2026, o tema central do festival é a Constituição da República Portuguesa, assinalando os 50 anos da aprovação da primeira Constituição da Democracia. Três dias de espetáculos, cinema, música, teatro, oficinas e conversas prometem várias estreias em Lisboa.

Música e teatro em torno da Constituição

No capítulo da música, a 25 de setembro, às 22h, o concerto-conversa “Artigo por Artigo” junta em palco Selma Uamusse e Ana Markl. Pensado a propósito dos 50 anos da Constituição portuguesa, o espetáculo entrelaça canções e diálogo: Selma Uamusse canta, e as duas vozes cruzam depois memórias, dúvidas e certezas sobre os direitos proclamados no texto constitucional e sobre as desigualdades que continuam a marcar o quotidiano.

Ainda no dia 25, às 21h30, a cantora Nayr Faquirá apresenta “Artigo 13.º”, performance musical original inspirada no princípio da igualdade consagrado na Constituição, que cruza identidade, herança migrante, saúde mental e condição feminina. Já a 26 de setembro, às 21h30, emmy Curl sobe ao palco com “Solarpunk — Um Pastoral do Futuro Regenerativo”, um concerto que cruza sonoridades futuristas com tradições e memórias do interior, imaginando um futuro em que a gestão dos recursos e a política ambiental se alinham com o bem-estar humano e com saberes ancestrais.

No campo do teatro, o festival abre a 24 de setembro (21h30) com “Príncipe do Gueto”, de Roni Sousa, tragédia contemporânea em três atos sobre herança migrante e os ciclos de violência na periferia de Brasília — depois da estreia na capital brasileira, é a primeira vez que o espetáculo é apresentado em Portugal. No sábado, dia 26, às 15h, segue-se “Luzes da Liberdade”, com os alunos do Curso Básico de Teatro da Casa Pia, que parte da primeira Constituição portuguesa, de 1911, para pensar a vida em democracia. Ainda no sábado, às 17h, Humberto Pedrancini e Roni Sousa lideram a oficina “Corpo, Voz e Comunicação”, dedicada à expressão verbal e corporal através de jogos teatrais e improvisação.

Intervenção cidadã e oficinas para todas as idades

A intervenção política dos cidadãos ganha espaço próprio na programação. No primeiro dia, às 17h, a oficina-debate de Mapeamento Coletivo do Bairro Azul dá voz a narrativas de moradores daquele bairro de São Vicente. No dia 25, às 18h, segue-se o “Mapa da Cidade”, oficina de cartografia da freguesia de São Vicente com António Brito Guterres e Emma Andretti. No último dia, às 16h, os resultados destas duas atividades culminam numa apresentação e discussão coletiva aberta ao público.

O dia 26 de setembro reserva ainda duas oficinas para todas as idades, às 11h. “A Constituição em Cartas”, um baralho ilustrado sobre direitos, liberdade e imaginação, está pensado para crianças a partir dos 6 anos e famílias. Já “Autocuidado, Identidade e Ancestralidade”, com Vanessa Di Faris, parte da narrativa “O Galo Preto” para uma conversa coletiva sobre identidade e pertença, seguida da exploração de diferentes técnicas de amarração de turbantes.

13 filmes em quatro sessões

A programação de cinema é outro dos eixos desta edição, com quatro sessões temáticas: “Direito à Cidade” (24 de setembro, 19h), “Sonho e Resistência” (25 de setembro, 19h), “Corpos em Trânsito” (25 de setembro, 20h) e “Entre Continentes” (26 de setembro, 18h), num total de 13 curtas-metragens portuguesas e internacionais.

Os filmes olham para a crise habitacional em Lisboa e no Porto, para comunidades imigrantes, do Bangladesh ao Brasil, passando por Moçambique e Cabo Verde, para as periferias das grandes cidades e para a relação entre memória, corpo e território. Entre os títulos em exibição estão “Irregular”, de Julio Moreira, dedicado à precariedade legal e laboral de uma artista brasileira em Portugal; “Catálogo de uma Cidade Sem Tecto”, de Diogo Cunha, sobre a crise habitacional no Porto; “Entre Cães e Lobos”, de Khalissa Akadi e Mathilde Sauvère, rodado num bairro de Lisboa após a morte de Odair Moniz; e “Fogo Abismo”, de Roni Sousa, uma carta-memória de infância numa favela de Brasília.

Dez anos de festival e próximas paragens

O Festival Política, conceito da Associação Isonomia, celebra em 2026 dez anos de atividade. Em Lisboa, conta com o apoio da Junta de Freguesia de São Vicente para três dias de programação gratuita, distribuída por vários espaços da freguesia a anunciar brevemente. Mais informações sobre o evento podem ser consultadas nas páginas oficiais do festival, no Facebook e no Instagram, ou no site oficial. A programação completa da edição de Lisboa está disponível para consulta neste documento.

Após a edição na capital portuguesa, o Festival Política segue viagem por mais três cidades: Loulé (22 a 24 de outubro), Coimbra (12 a 14 de novembro) e Torres Vedras (28 e 29 de novembro), levando o debate sobre direitos humanos e cidadania a diferentes pontos do país ao longo do outono.



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