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Trespassers Wiliam

Melancolicamente bom. Lounge, Lisboa, 23 de Outubro.

A chegada ao Lounge deu-se por volta das 22h. O concerto estava marcado para as 23h30. Tempo para conhecer os cantos à casa (se bem que já os conhecia), que na altura se encontrava vazia e continuou vazia por largos minutos, chegando a dada a altura a tornar-se preocupante.

Pelas 22h45 eis que entram Anne-Lynne Williams e Matt Brown, acompanhados por um terceiro elemento que os acompanha em palco e do qual simplesmente não me consigo recordar do nome. E acreditem que estou farto de o tentar fazer. Rapidamente se colocam à vontade, com uma média na mão de cada um e conversando entre si e com quem quisesse dar dois dedos de conversa. Entretanto o Lounge ia enchendo (e ficou muito bem composto)…

Passava um pouco da meia-noite quando a banda pegou nos instrumentos para dar início ao concerto que marcaria a sua estreia em Portugal. Quando comecei a escrever a frase anterior usei a expressão “subir  ao palco”. Tive de a reformular porque não havia palco. Haviam, sim, duas cadeiras. Uma para Anna-Lynne e outra para Matt Brown. Do lado esquerdo, um sofá era o confortável assento para o terceiro elemento (aquele de que não me consigo lembrar do nome), que ia assegurando uma percussão mínima (mas que surgia sempre no momento certo) ou ia tocando baixo, umas vezes usando os dedos e outras recorrendo também a um arco de violino.

Por vezes é uma tarefa impossível definir o som de uma banda numa só palavra. Com os Trespassers William torna-se facílimo (pelo menos para mim): melancolia. E sabe tão, tão bem… O alinhamento foi distribuído pelos dois álbuns da banda (“Different Stars” e “Having”) e um EP editado em Março passado (“The Natural Order of Things”). Foi um concerto curto mas sincero e intenso. Anna-Lynne, sempre ela a porta-voz, não se cansou de elogiar o silêncio que se fazia sentir, ainda para mais tendo em conta que estavam actuando num bar, onde pessoas iam passando mesmo ao seu lado para chegar ao balcão e pedir qualquer coisa para beber. Os elogios da praxe ao país e ao público também não faltaram.

O som estava óptimo. O ambiente estava óptimo. Olhava-se em redor e viam-se olhos semi-cerrados, como que num transe, absorvendo todas as notas que eram tocadas, todas as palavras que eram cantadas, todas as palavras que eram sussurradas. Podia sentir-se aquele arrepiozinho na espinha.

Ao fim de cada música houve sempre uma breve troca de palavras entre os três elementos. Rapidamente se compreendeu o porquê. Não havia nenhum papel colado no chão, com a setlist. Não. A setlist estava no braço de Anna-Lynne. Houve ainda tempo para uma agradável surpresa: um cover dos Radiohead. O tema escolhido foi a «Videotape», do último “In Rainbows” e teve honras de dedicatória a duas amigas da banda que tinham vindo dos Estados Unidos.

E quase sem se dar por isso, o concerto chegou ao fim, com várias certezas. Quem viu gostou. Quem tocou gostou de o fazer e mal surja a oportunidade voltarão. Com toda a certeza.



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