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Bfachada

Centro de Artes de Sines, 24 de Outubro.

Ao princípio era a escuridão. Depois, fez-se luz sobre o palco. Estava despido. Não se via ninguém. Apenas um microfone para a voz e outro para amplificar o som da viola. Às 22h10 Bfachada tomou o seu lugar, no meio do palco. Só.

Vislumbrava-se um ou outro sorriso.

O registo adoptado foi minimalista mas não se pense que com isso o concerto saiu prejudicado. Nem por sombras! Voz, viola e uma maneira leve e descontraída de ser e estar em palco. Desde o primeiro momento demonstrou ser um óptimo conversador, como um bom cantautor deve ser.

O número de sorrisos já era maior.

Por ventura, seria de esperar que a actuação de B Fachada se centrasse sobre o último álbum que editou, “Um Fim de Semana no Pónei Dourado”, mas não ficou por aí. Fachada tem andado em estúdio a gravar material novo e não se coibiu de o mostrar, até porque, segundo o próprio, tinha mais vontade de tocar os temas novos. O registo até pode já ter título mas tal não foi referido por Bfachada nesta sua passagem por Sines. Pode-se confirmar, no entanto, que um dos temas novos se chama «Setembro».

Durante a semana do concerto, a mesma sala em que se encontrava a actuar recebeu uma ilustre figura da música portuguesa: Vitorino. Tal foi comentado por Fachada, que ofereceu uma breve interpretação de «Queda do Império», com o devido pedido de desculpas a Vitorino no final.

Mais meia dúzia de sorrisos para juntar aos outros.

É verdade que o som nem sempre esteve perfeito, com os agudos por vezes a fazerem-se notar um pouco mais do que o desejável (e Fachada que o diga, quando se viu forçado a interromper um tema). No entanto esta foi uma daquelas situações em que se pode dizer que há males que vêm por bem. Com o argumento de “descansar os ouvidos”, Bfachada decidiu deixar os microfones para trás e oferecer a interpretação de dois temas sem qualquer tipo de amplificação, enquanto deambulava pela ponta do palco e, depois, uns centímetros mais abaixo, mesmo junto ao público. Primeiro interpretou uma velha canção popular portuguesa, que lhe tinha sido ensinada por uma cantadeira de Trás-os-Montes, quando esteve por lá a convite do cineasta Tiago Pereira. Depois cantou o «Zé»… “chamo-me Zé vim para aqui a pé e agora tenho um Cadillac!”.

E mais sorrisos.

Ao longo da actuação começamos a apercebermo-nos que pequenas falhas e enganos são habituais. Um acorde errado aqui. Um esquecimento na letra ali. Mas nada de preocupante. São pequenas incidências no concerto que acabam funcionando como uma porta para um pequena história ou um simples comentário.

Ah… Para o final, já em encore, surgiu o já clássico, mas sempre delicioso, «Pior Que Tio».

Muitos sorrisos misturados com aplausos e mais uma prova de que o futuro da música portuguesa está bem entregue.

Fotografia de Vera Marmelo.



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