TSINTTY- “THERE IS SOMETHING I NEED TO TELL YOU”

“TSINTTY”

“Porque no fundo, toda a gente ama e toda a gente sofre”

A curta-metragem “There Is Something I Need To Tell You”, mais conhecida por “Tsintty”, está a acabar a sua edição e muito em breve será será lançado no mercado dos festivais. O primeiro em que irá participar para estrear será o conceituado Festival Internacional de Curtas-Metragens de Vila do Conde.

“Tsintty” foi concretizada sem qualquer tipo de apoio. Sem mãos a medir, foi de toda a equipa técnica e do elenco, que proveio o financiamento para a rodagem desta curta-metragem portuguesa, no final teve o simples orçamento de quase 3000€.

Contou com a prestação de uma grande equipa de profissionais da área e o desempenho de um conjunto de actores, que certamente serão as novas apostas nacionais.

“Tsintty” foi filmado no grande Porto entre Setembro de 2012 e Janeiro deste ano. A história versa sobre três casais; dois casais homossexuais, feminino e masculino, e um heterossexual. Pretende mostrar que o amor é vivido na mesma dimensão independentemente da orientação sexual. Escrito e Realizado pelo jovem Rui Pedro Sousa, natural da Praia da Barra, em Aveiro, que desde cedo mostrou uma paixão pelo cinema. É colaborador na empresa audiovisual Lightbox, produtora responsável pelo maior êxito de bilheteiras em Portugal em 2012, “Balas e Bolinhos O Último Capítulo”.

A RDB esteve à conversa com Rui Pedro, um jovem cineasta, artista e muito empreendedor, para receber alguns esclarecimentos sobre “Tsinitty” e não só.

Rui, descreve-nos um pouco do teu percurso como argumentista, realizador e quiçá pessoa.

Chamo-me Rui Pedro Cardoso Sousa, nasci a 24 de Agosto de 1986 em Aveiro. Desde criança que me senti fascinado pelo mundo do “faz de conta” e pela magia de contar histórias. Devorava tudo o que eram revistas de cinema, tenho uma colecção de 150 revistas de cinema, entre elas, as primeiras edições da revista “Premiére”. Foi então que, com 16 anos, escrevi, a par com uma amiga, o meu primeiro filme. Uma história de terror, género Scream, passada na minha terra natal. Mas a ingenuidade da altura fez com que esse pequeno projeto não tenha passado de um argumento completo.

Mais tarde, já depois do secundário, decidi que era cinema que queria seguir, e fui então para a ESAP, Universidade Privada do Porto onde completei o segundo ano de três. No início do terceiro ano fui convidado a trabalhar na empresa Lightbox, onde estou até hoje, tendo colaborado em diversas publicidades televisivas para a Sonae, FC Porto, entre outros. Foi também na Lightbox que fiz parte da equipa de efeitos especiais do filme “Balas e Bolinhos O Último Capítulo”, o filme Português mais rentável de 2012 e o terceiro mais rentável de sempre em Portugal. Até que “Tsintty” surgiu.

TSINTTY- “THERE IS SOMETHING I NEED TO TELL YOU” - Rui Pedro

Porquê a necessidade de demonstrar nesta curta que o amor é vivido na mesma dimensão, independentemente da orientação sexual?

Não lhe chamaria exactamente uma necessidade. Na verdade, a mensagem do filme, ou melhor, a grande mensagem do filme é diferente da que é passada pelo trailer. A mensagem de que o amor é igual, seja qual for a relação onde estás, surgiu naturalmente, devido a inclusão dos casais homossexuais. Quanto a essa mensagem principal é algo que estou a guardar a sete chaves para que seja a surpresa do filme, mas é a mensagem que está diretamente relacionada com o titulo, “There’s Something I Need to Tell You”.

A decisão de transpor esta história a três casais diferentes foi, acima de tudo, para o filme chegar a toda a gente possível, porque no fundo, toda a gente ama e toda a gente sofre.

Em que te inspiraste para escrever este argumento?

Estaria a mentir ao dizer que este argumento proveio apenas da minha imaginação. Liricamente sim, mas claro, têm muito de referência uma relação pessoal que me afectou imenso. Após ter escrito um pequeno esboço, como que escrevendo para essa pessoa, vi, com dois colegas de trabalho, que estava ali uma história que tocava a todos e que merecia ser partilhada.

TSINTTY- “THERE IS SOMETHING I NEED TO TELL YOU”

Consideras que as relações amorosas, os seus desafios, paradoxos, conflitos, continuam a ser temas que absorvem muito o público? Porquê?

Definitivamente, tal como já disse em cima, toda a gente ama, toda a gente sofre. E apesar de todas as relações serem distintas umas das outras, no amor toda a gente ou ama e é feliz para sempre, ou ama e sofre. Sendo uma “história real” de todas as pessoas, claro que, este tipo de argumentos toca as pessoas porque fala de conflitos tão próprios do ser humano.

Que correntes artísticas te inspiram? Livros, autores, realizadores, filmes, músicas? De que forma a arte toca a tua arte?

A poesia diz-me muito. A poesia como forma de embelezar algo que é dito é, por si só, uma forma de arte que atesta os limites do pensamento do leitor. E é um bom exercício para aperfeiçoar o raciocínio e a criatividade. “Tsintty” tem os seus momentos poéticos e de prosa, muito inspirado no ritmo poético, para dar uma emotividade ainda maior à história. Quanto a realizadores, tenho um fascínio pela arte de Spielberg, Nolan ou Scorcese, com filmes que, tal como “Tsintty”, tocam quase sempre no quotidiano humano. Eu acho que toda a forma de arte é importante para a criação de nova arte porque uma obra de arte criada ontem, pode e deve ser observada e moldada a uma nova forma de arte. Por exemplo, sou contra a ideia de que, no meu caso, o uso de músicas de grandes bandas ou bandas sonoras seja vetado a jovens cineastas que tentam mostrar os seus primeiros trabalhos. Concordo com os direitos de autor, mas os mesmos deviam ser moldados. Um jovem, que queira mostrar um bom trabalho, sem dinheiro para fazer uma grande produção, sem meios, devia ter privilégios que só os grandes estúdios ou produtores têm, por terem dinheiro.

Que projetos futuros tens para o TSINTTY?

O objetivo deste filme desde início sempre foi o mais simples possível: sempre desejei que todas as pessoas que um dia sofram ou já sofreram de um grande desgosto amoroso, se consigam ver a elas mesmas nessas personagens e que ao verem o filme, no final digam, “É isso mesmo, basta de tristeza, tenho de seguir em frente”. O objectivo para o “Tsintty” sempre foi o de fazer uma curta experimental, queria lançá-la imediatamente na web por ser acima de tudo uma mensagem ao espectador. Mas as produtoras do filme e alguns elementos do filme convenceram-me a lançar o mesmo para festivais. Agora desejo ver como o filme se desenvolve quando sair na web, se irá tornar-se viral ou não, que vença muitos festivais e que toque mesmo as pessoas.

Como surgiu a concretização desta curta? Como se juntou esta equipa que tornou possível a realização do filme? E o que aconselhas a jovens artistas, realizadores, actores, autores, que como tu começam a dar os primeiros passos?

Os únicos apoios que tivemos para esta curta foram o fornecimento de algum material de filmagem por parte da empresa Lightbox onde trabalho. Tivemos também o apoio de um bar do Porto, Breyner, que nos forneceu um espaço no seu jardim para filmar. Tivemos ainda o apoio do grupo Firminos, uma empresa de iluminação de rua que nos emprestou luzes festivas para a cena do bar. Quanto ao resto não tivemos mais nenhum apoio. Monetariamente foi-nos sempre recusado, ora porque estamos em crise, ora porque era um investimento muito arriscado. Falei com colegas e amigos da área, trabalhadores da Lightbox e freelancers, e propus a todos fazer um filme, não por dinheiro, mas por amor ao cinema, disse-lhes… “quero criar uma equipa e este será o nosso primeiro projeto juntos”. E assim foi, todos gastaram do seu próprio bolso, alimentação, transportes e afins. Tudo pelo amor por fazer cinema e contar histórias.  Sem esta equipa e este elenco, o “Tsintty” jamais teria visto a luz do dia.

TSINTTY- “THERE IS SOMETHING I NEED TO TELL YOU”

Quanto a conselhos, ainda estou numa fase muito “crua”, no que toca a entender a forma de fazer cinema, mas quero dizer a todos os jovens argumentistas, realizadores, actores e afins que, se têm uma ideia, se têm um objectivo, façam-no. Lutem pelo que gostam por muitas negas que vos sejam dadas. Se A ou B te diz, nunca vais conseguir, pega nessas energias negativas e lança-as em prol da tua criatividade, luta, não desistas e acima de tudo vive consciente de que tentas fazer o máximo por um projeto. É difícil fazer algo sem dinheiro, diria até quase impossível, mas como se costuma dizer, “quem corre por gosto não cansa”. Por isso se tens um projeto, uma ideia, um objectivo, deixa de pensar na velha máxima do “oh, hoje não me apetece, amanhã penso nisso”, porque os dias passam e nada fizeste. Luta, luta todos dias em prol da tua arte, e verás o quão realizado te sentirás por fazeres aquilo que amas fazer, mesmo que para isso tenhas de lutar contra tudo e todos.

 

 

 



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