Vitorino e Paulo Furtado falam sobre música portuguesa na Baixa-Chiado PT Bluestation

Depois da recente polémica entre Vitorino e vários músicos portugueses (entre os quais Paulo Furtado), que surgiu de uma entrevista ao Jornal de Leiria na qual Vitorino dizia que “quando um português canta em inglês fica tristemente ridículo”, ambos os músicos e o etnomusicólogo Pedro Felix vão à Baixa-Chiado PT Bluestation falar publicamente sobre o tema. Este debate faz parte da programação do projeto “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria” para a Baixa-Chiado PT Bluestation, que acontece durante todo o mês de dezembro.

Celebrar a tradição do futuro
O espólio de música portuguesa  online A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria (MPAGDP) vai assentar arraiais na estação de metro mais cultural de Lisboa durante um mês inteiro. Em dezembro, além das conversas entre etnólogos e músicos de várias gerações, vão também haver bailes e contos tradicionais portugueses, sessões explicativas sobre como se constrói um adufe ou uma flauta de tamborileiro, concertos de grupos de norte a sul do país e projeções-vídeo com tradições de Natal e Passagem de Ano em aldeias do interior.

O lema da Baixa-Chiado PT Bluestation em dezembro – mês de tradições ancestrais em Portugal – é “Celebrar a Tradição do Futuro”. Porque, como diz Tiago Pereira, mentor do projeto MPAGDP, “um povo sem memória não existe. Queremos fazer a memória do futuro, dando a conhecer cada vez mais culturas e músicas esquecidas, remisturando-as e contaminando-as”. E qual o espaço mais adequado para celebrar “a tradição do futuro” senão uma estação de metro – local de passagem urbano e cosmopolita – como a Baixa-Chiado PT Bluestation?

Conheça, abaixo, a programação da primeira semana de dezembro. Todos os dias, a entrada é livre.

Segunda-feira, dia 3, 17h
Ciclo “Debates em Obra”: O que é, afinal, a música portuguesa?
Os músicos Vitorino e Paulo Furtado (aka The Legendary Tiger Man) e o etnomusicólogo Pedro Félix conversam sobre o que é, afinal, a música portuguesa, tendo como ponto de partida uma crónica que Miguel Esteves Cardoso publicou no  Público em 1981: “A música portuguesa é aquela que fazem os portugueses. Ah, então era isso! Mas (…) se 90% da música feita por portugueses é estrangeira! (…)”.

Terça-feira, dia 4, 17h
Ciclo “Tradição Oral Portuguesa”: Al-duff – A história do adufe
O mentor do grupo  Al-duff, que canta e toca o adufe de Idanha-a-Nova “através da adaptação e exploração de diferentes ritmos, músicas, culturas, técnicas performativas e contextos histórico-sociais”, vem à estação explicar como se constrói um adufe, quais os materiais que se utilizam e como se designam as diferentes parte que o compõem. Um pequeno concerto e um workshop de construção artesanal de adufes num só!


Quarta-feira, dia 5, 19h
Ciclo “A Dança Portuguesa a Gostar Dela Própria”: No Mazurka Band

No Mazurka Band (NMB) é um dos projetos musicais que mais tem contribuído para a renovação e criação de um baile folk português, apostando na divulgação das danças populares portuguesas e na criação de um novo repertório para baile. Com instrumentos como a viola campaniça, a flauta travessa de cana, a gaita galega, a caixa, o bombo ou o timbalão, os NMB montam o baile, fazendo do acústico o fertilizante para a construção e reinvenção de novos temas portugueses.

Neste mesmo dia, em plena estação, é também lançado o site “A Dança Portuguesa a Gostar Dela Própria”, uma encomenda da associação Pé de Xumbo a Tiago Pereira.

Quinta-feira dia 6, 17h
Ciclo “A Música Portuguesa no Feminino”: Rita Dias

Rita Dias é natural de Coimbra, já viveu no Rio de Janeiro e atualmente reside em Lisboa. Gosta de fado, dos clássicos da música ligeira, de samba, de bossa-nova e de música popular brasileira. É com estas influências que dá agora os primeiros passos como cantautora. Em palco, é acompanhada à viola pelo Filipe Almeida, no contrabaixo pelo André Rosinha e ao piano pelo Pedro Nobre.


Sexta-feira, dia 7, 21h
Ciclo “A Música Portuguesa a Remisturar-se a Ela Própria”: Omiri
Os Omiri reinventam a tradição colocando músicos de todo o país a tocar e a cantar como se fizessem parte de um mesmo universo. Não em carne e osso, mas em som e imagem. As imagens recolhidas por Tiago Pereira são manipuladas em tempo real e servem de base para a improvisação musical de Vasco Ribeiro Casais. Instrumentos tradicionais e vídeo, sintetizadores e matanças do porco, chouriças e nyckelarpas com distorção, aldeias que dançam e cantam ladaínhas com remisturas de computador. Tocar, dançar – e criar – é o que diz este projeto que atira convenções bafientas às urtigas.



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