“Boa Noite, Mãe” estreia na Malaposta a 25 de setembro
A peça vencedora do Prémio Pulitzer, de Marsha Norman, chega a Portugal numa produção da Companhia Cepa Torta.
A Companhia Cepa Torta estreia a 25 de setembro, no Centro Cultural da Malaposta, em Odivelas, a peça “Boa Noite, Mãe”, de Marsha Norman, vencedora do Prémio Pulitzer de Teatro em 1983. Com encenação de Miguel Maia e interpretação de Inês Rosado e Lucinda Loureiro, o espetáculo fica em cena até dia 27 de setembro, seguindo depois para o TEMPO — Teatro Municipal de Portimão e para o Auditório Carlos Avilez, no Estoril. O ensaio aberto à imprensa está marcado para 14 de setembro, às 11h, no próprio Centro Cultural da Malaposta.
Uma conversa sem escapatória
“Boa Noite, Mãe” parte de uma premissa simples e devastadora: uma filha comunica à mãe que se vai suicidar nessa mesma noite. Tudo está preparado. Ao longo de uma conversa mediada por marshmallows e caramelos, as duas mulheres revisitam o passado e confrontam a impossibilidade de mudar o presente, num texto sobre solidão, falência da comunicação e erosão dos laços mais íntimos.
Escrita por Marsha Norman no início da década de 1980, a peça estreou em 1983 no American Repertory Theatre, tendo permanecido um ano em cena e valido à autora o Prémio Pulitzer de Teatro, além dos prémios Susan Smith Blackburn, Hull-Warriner e Drama Desk Awards. Na origem do texto está um conselho dado a Norman pelo encenador e dramaturgo Jon Jory: escrever sobre algo que a aterrorizasse. A autora escolheu o suicídio, imaginando o que aconteceria se quisesse morrer e ninguém a conhecesse suficientemente bem para a conseguir salvar.
Um espaço que respira a incompletude
A encenação de Miguel Maia aposta numa cenografia fragmentada que traz o público para dentro do campo de batalha afetivo entre mãe e filha. O dispositivo cénico utiliza o naturalismo como gatilho, mas deixa-se infetar por uma estética da invisibilidade e da fragmentação — um espaço que respira a incompletude da protagonista, onde cada objeto real é assombrado pelo silêncio e pela escuridão que ela reclama para si.
Não se trata de teatro imersivo, na medida em que o público não participa na ação. Mas a equipa criativa procura que o espetador esteja próximo, que perceba que aquilo acontece “aqui e agora”. Sendo um texto feito para trabalho de ator, a interpretação é o centro da encenação, confiada a duas atrizes com larga experiência de teatro e televisão.
Ficha artística e apresentações
A ficha artística inclui assistência de encenação de Teresa Vaz, tradução de Ângela Pinto, cenografia e adereços de Nuno Tomaz, figurinos de Patrícia Raposo, desenho de luz de Alexandre Costa, teaser e registo audiovisual de Mário Melo Costa, fotografia e design de Sónia Godinho e produção executiva de Lara R. Santos. A produção é da Companhia Cepa Torta, com classificação etária M/18 e duração de 1h20.
Depois da estreia na Malaposta, o espetáculo segue para o TEMPO — Teatro Municipal de Portimão, a 17 e 18 de outubro, e para o Auditório Carlos Avilez, no Estoril, a 20 e 21 de fevereiro de 2027.
Sobre a autora e a companhia
Marsha Norman (1947) é uma dramaturga, argumentista e romancista norte-americana, criada numa família de músicos no Kentucky. Com o sucesso de obras como “Getting Out” e “Night, Mother”, ajudou a romper barreiras de género na escrita para teatro nos Estados Unidos, dedicando-se desde então também à escrita de argumentos e letras para musicais.
A Companhia Cepa Torta, fundada em 1999 e sediada em Marvila, Lisboa, organiza a sua atividade em torno de três eixos: pesquisa teatral e criação de espetáculos sob direção de Miguel Maia, artes participativas com enfoque na criação colaborativa com crianças e jovens, e formação e descentralização artística, através do ciclo “Esta Noite Grita-se”, dedicado à dramaturgia contemporânea e já na sua nona temporada.
Com uma das peças mais premiadas do teatro norte-americano contemporâneo, a Cepa Torta traz a Portugal um texto que continua, mais de quatro décadas depois de escrito, a interpelar plateias sobre os limites da comunicação entre gerações e sobre o peso do que fica por dizer.
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