“Mel” | Ian McEwan

“Mel” | Ian McEwan

Não confies em ninguém (sobretudo nos escritores)

Numa recente entrevista ao ípsilon, Ian McEwan dizia isto: “Talvez todos os romances sejam romances de espionagem”. “Mel”, o seu mais recente romance, é uma fotografia viva deste estado de espírito, onde o escritor pouco revela, cabendo a quem o lê a difícil missão de desvendar o que se esconde por detrás de uma trama bem urdida.

Tudo começa ao estilo de um thriller, apontando directamente ao âmago da questão: «Chamo-me Serena From (rima com plume) e há quase quarenta anos fui enviada numa missão secreta para os serviços de segurança britânicos. Não regressei incólume.»

Somos assim transportados ao ano de 1972, quando Serena, a bela filha de um bispo anglicano, segue a vontade da sua mãe e se decide por uma licenciatura em Matemática, deixando que a sua grande paixão – a Língua Inglesa – prossiga apenas com a leitura compulsiva de romances. Será no último ano do curso que vai conhecer Tony Canning, o homem que se tornará seu amante e a conduzirá ao mundo dos Serviços Secretos Britânicos.

A primeira missão de Serena será a de convencer o promissor escritor Tom Haley a aceitar uma bolsa de uma organização de fachada, pressupondo que poderá ajudar – ainda que sem o saber – a minar as fundações do comunismo. Porém, ao mesmo tempo que volta a entrar no reino da Literatura, Serena passa também a gostar do homem que está do lado de cá das histórias – o que vai contra o mandamento número um do manual do bom espião: não confies em ninguém.

Há também várias referências históricas e políticas como o conflito com o IRA, a crise do Médio Oriente e o fantasma da Guerra Fria, que lhe conferem a aura de um romance de espionagem mas que, em verdade, é bem mais do que isso: é igualmente uma história de amor e um triunfo da imaginação, que se estenderá muito para lá da página derradeira.

Uma edição Gradiva



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