OIG2 (4)

Ler é o melhor remédio

Da estabilidade emocional à parentalidade sem culpa.

Seguros
de Dr. Amir Levine

Penguin (penguinlivros.pt)

Depois do impacto de Ligados, bestseller escrito em parceria com Rachel S. F. Heller, que ajudou a popularizar a teoria da vinculação junto do grande público, o psiquiatra clínico Amir Levine regressa com Seguros (Penguin, 2026), livro que procura responder a uma questão essencial: como construir uma vida emocionalmente mais estável e satisfatória.

Levine, professor associado de Psiquiatria Clínica na Universidade de Columbia e investigador na área da neurociência, tem dedicado grande parte da sua carreira ao estudo das relações humanas e da forma como os vínculos influenciam o bem-estar psicológico. Em Seguros, o autor alarga essa reflexão para além das relações amorosas, defendendo que a segurança emocional é um dos pilares fundamentais de uma vida equilibrada.

A ideia central do livro divido em três partes (Cérebro Seguro Viver em Modo Seguro e A Mente Segura) é que a segurança não deve ser entendida como um traço inato reservado a algumas pessoas, mas ser desenvolvida através de comportamentos, relações e estratégias que promovam confiança, estabilidade e ligação aos outros. Para Levine, a qualidade das nossas relações continua a ser um dos fatores mais determinantes para a saúde física e mental, influenciando como lidamos com desafios, tomamos decisões e enfrentamos momentos de adversidade.

Através de uma linguagem clara e acessível, Seguros combina conhecimento científico, casos reais e exemplos do quotidiano para mostrar como os princípios da teoria da vinculação podem ser aplicados em diferentes contextos da vida, com o autor a abordar temas como a gestão da ansiedade, a construção de relações mais saudáveis, a importância da confiança e o papel das redes de apoio no desenvolvimento pessoal.

Uma das perspetivas mais interessantes da obra é como relaciona descobertas da neurociência com experiências comuns, demonstrando que a necessidade de ligação e de segurança não é apenas uma questão emocional, mas também biológica. Ao longo das páginas, Levine mostra como o cérebro humano está preparado para procurar relações que ofereçam estabilidade e suporte, e como essa realidade influencia o comportamento desde a infância até à idade adulta.

Sem assumir o tom de um manual de autoajuda tradicional, Seguros apresenta-se como uma reflexão acessível sobre a importância das relações humanas numa sociedade marcada pela rapidez, pela incerteza e pela hiperconectividade. A sua principal força reside na capacidade de transformar conceitos científicos complexos em ferramentas práticas para o dia a dia, num processo contínuo de construção.

Tome nota
«Se se sentir um pouco desencorajado ao descobrir que é extremamente sensível à exclusão, não se preocupe. Afinal, há um antídoto fácil para a exclusão – uma forma de proteger o seu cérebro dos seus efeitos nocivos e, ao fazê-lo, abrir caminho para mudanças seguras e douradoras. O antídoto é aquilo a que dou o nome de hiperconectividade…»

 

O Colo (não) Vicia
de Filipa Castanheira

Albatroz (albatroz.pt)

Diziam os mais antigos que muito colo pode fazer “mal”. Partindo precisamente desta ideia, a psicóloga Filipa Castanhinha questiona algumas das crenças mais enraizadas sobre a infância, o afeto e a educação dos filhos em O Colo (não) Vicia (Albatroz, 2026), um guia prático que reflete sobre a parentalidade que hoje conhecemos.

Especializada em Psicologia da Gravidez e da Parentalidade, com mais de 15 anos de experiência no acompanhamento de famílias, Castanhinha reúne conhecimento científico, experiência clínica e uma abordagem profundamente humana para refletir sobre os desafios da parentalidade contemporânea.

Para isso, a autora convida o leitor a revisitar conceitos como autonomia, limites, birras, castigos e vínculo emocional à luz das mais recentes descobertas sobre o desenvolvimento infantil. E, sem cair em extremismos ou apresentar receitas universais, defende uma parentalidade mais consciente, baseada na compreensão das necessidades emocionais das crianças e na construção de relações seguras.

A forma como a especialista traduz conceitos científicos complexos para uma linguagem simples e acessível leva-nos a melhor entender como o cérebro infantil se desenvolve, de que forma as experiências precoces moldam a regulação emocional e porque é que o afeto não compromete a autonomia, pelo contrário, ajuda a construí-la.

Ao longo do livro, percebe-se também uma preocupação em aliviar a pressão que hoje recai sobre pais e mães, especialmente numa conjuntura marcada pela abundância de informação, opiniões contraditórias e expectativas muitas vezes irrealistas, com Castanhinha a propor uma visão mais serena da parentalidade. Em vez de procurar a perfeição, convida os adultos a cultivarem presença, empatia e disponibilidade emocional.

Mais do que um manual de parentalidade, O Colo (não) Vicia reflete sobre a importância das relações humanas nos primeiros anos de vida, com a autora a desmontar mitos, combater culpas e reforçar uma mensagem simples, mas poderosa: o afeto não estraga, não enfraquece nem cria dependência, sendo uma das ferramentas-chave para ajudar as crianças a crescerem com confiança, segurança e autonomia.

Tome nota
«A nossa parentalidade é atravessada por tudo isto: pelas histórias da infância, pelas necessidades biológicas do nosso bebé e por uma escuta emocional que se vai afinando com o tempo, a presença e o vínculo.»

 



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