“O anjo Esmeralda” | Don DeLillo

“O anjo Esmeralda” | Don DeLillo

A arte do rebuscamento

Se Don DeLillo demorar tanto tempo a arranjar-se como aquele que passa na arte de embelezar uma frase, o mais certo é começar a preparar-se depois do pequeno-almoço para um jantar de gala que comece a horas de uma ceia tardia.

“O anjo Esmeralda”, colectânea lançada pela Sextante Editora, dispõe de forma cronológica nove contos de Don DeLillo escritos entre 1979 e 2011, onde se podem descobrir pormenores de três décadas da vida norte-americana entre o caloroso ambiente jazz e a aridez dos tempos mais modernos.

Há o relato de uma quase-violação entre a arte terrorista – “Baader-Meinhof” -, um affair com a forma de um círculo – “Criação” –, uma guerra na Terra observada por astronautas – “Momentos calorosos na Terceira Guerra Mundial” -, o manter das aparências como forma de atenuar a dor – “O corredor” –, o traçar dos limites do “eu” e a sua suplantação – “A acrobata de marfim” –, uma história sobre a fé no coração do Bronx – “O anjo Esmeralda” –, alunos que trocam de lugar em todas as aulas e que tentam desvendar se um homem veste parka ou anorak – “Meia-noite em Dostoievski” –, uma dissertação sobre “os mercados” num centro de detenção – “Foice e martelo” – e um estranho casamento acompanhado de um caso de não-amor – “A faminta”. Tudo com muita pompa, circunstância e espírito que se quer profético, marcas da escrita rebuscada de Don DeLillo.

Uma edição Sextante Editora



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