A Cabeça do Baptista em Braga

No dia em que se comemora o Centenário da República, a CTB – Companhia de Teatro de Braga estreia, no Theatro Circo (21h30), “A Cabeça do Baptista”, de Ramón del Valle-Inclán, um republicano que manteve contacto com a intelectualidade portuguesa, publicou textos na imprensa nacional, traduziu obras de Eça de Queirós, foi membro da Sociedade de Amigos de Portugal, e é um dos maiores autores da literatura espanhola.

Encenada por Manuel Guede Oliva, A Cabeça do Baptista é um retábulo da avareza, da luxúria e da morte, com obvia afinidade simbólica com a história grotesca de São João Baptista, Salomé e Herodes. Incorporado no reportório da CTB por sugestão do encenador – também autor, dramaturgo, tradutor, e director do Centro Dramático Galego de 1991 a 2005 –, esta é a terceira obra que o mesmo dirige para a companhia,  Algumas Polaroids Explícitas de Mark Ravenhill  e O Profissional de Dusan Kovacevic foram os espectáculos anteriores.

Interpretada por Solange Sá, Waldemar Sousa, Rogério Boane, Jaime Soares, Carlos Feio, Rui Madeira, André Laires e, ainda, com a participação do músico Filipe Cunha, a peça segue a sua carreira nos dias 7 (21h30) e 10 de Outubro (16h), e de 2 a 6 de Novembro (15h – sessões escolares, 21h30).

Sinopse:

“Melodrama para marionetas foi desta forma que o grande Don Ramón María del Valle-Inclán definiu A Cabeça do Baptista, peça que configura o “Retábulo da avareza, da luxúria e da morte”.

O seu argumento é conciso, categórico, como uma pancada imprevista que com o seu aperto quisesse paralisar as personagens de um rito que vinham entretendo as horas entre sombras de nada.

Alberto Saco, conhecido por “El Jándalo”, chega a uma aldeia indeterminada, num lugar inefável com o propósito explícito de vingar-se de Don Igi, um indiano que fora em tempos amante, ladrão e assassino da Baldomerita, a mãe do recém-chegado.

Don Igi vive agora, à falta de melhor companhia, amancebado com Pepona, uma espécie de prostituta irreverente e vulgar.

Diante da aparição de Alberto Saco, a ela irá confiar os seus medos e nela encontrará o seu maior aliado. Os dois planeiam a vingança, mas é Pepona quem lhe dá o alento moral que tem de resultar numa execução fria e exacta. Uma crueldade premeditada, pérfida e nocturna envolve a peça.

A tragédia para estas personagens do melodrama começa precisamente onde o melodrama e a marioneta concluem.

A Cabeça do Baptista é uma obra num acto que tem uma óbvia afinidade simbólica com a história grotesca de São João Baptista, Salomé e Herodes.”, Manuel Guede Oliva.

Ficha Artística:

autor: Ramón del Valle-Inclán
tradutor: António Pescada
encenação: Manuel Guede Oliva
assistente de encenação: Thamara Thais
cenografia e figurinos: escultor Rui Anahory
coreografia: Cristina Mendanha
desenho de luz: Fred Rompante
criação de som: Nuno Mendonça
imagem: Frederico Bustorff Madeira
criação gráfica: Carlos Sampaio
fotografia de cena: Paulo Nogueira
músico: Filipe Cunha
actores: Solange Sá, Waldemar Sousa, Rui Madeira, Carlos Feio, Jaime Soares, Rogério Boane, André Laires



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