The Lemon Twigs @ HardClub (20.10.2026)
The Lemon Twigs no HardClub: De mãos dadas com o antigo e o novo
São as calças à boca de sino, as malhas justas e coloridas ou as guitarras que viajaram no tempo? Serão as vozes estranhamente familiares, os moves de antigamente ou serão apenas almas velhas em corpos de hoje? São possivelmente tudo isso e mais alguma coisa, com um toque de contemporaneidade ao estilo vintage que lhes é tão característico. Desde o início a identidade do grupo se fez notar, o primeiro álbum “What We Know” foi gravado em fita-cassete para procurar manter a sonoridade das épocas que os encantaram: os anos 60/70.
Nesta pequena sala do HardClub, no Porto, apresentaram o “Look For Your Mind!”, o seu sexto álbum. A atmosfera minimalista de uma sala escura e bem preenchida — o suficiente para se dizer que Lemon Twigs não são desconhecidos, mas ainda assim com o espaço necessário para permitir dançar ao som dos dois irmãos Brian e Michael, acompanhados por Reza Matin, na bateria e guitarra, e Danny Ayala, nas teclas e baixo.
Os irmãos Brian e Michael D’Addario ainda andavam na escola quando fundaram os The D’Addario Brothers, uma banda composta por dois miúdos multi-disciplinares que entre si dividiam os papeis de baterista, guitarrista, baixista e vocalista, assumindo muitas vezes mais do que uma personagem ao mesmo tempo. Foram, porém, poucos os dias em que se apresentaram com este nome, isto porque sentiram necessidade de um prenome mais clássico, mais rock, mais anos 60. E nasceram assim os The Lemon Twigs — um nome muito ao “acaso” como já contaram em entrevista, pela altura em que ascenderam, entre 2016 e 1017.
É impossível não nos impressionarmos com as semelhanças: esqueça-se a figura retro que apresentam e os instrumentos vintage, vendam-se os olhos do público e todos dirão que é uma banda rock clássica. O primeiro nome que me vem à cabeça são os Beatles, mas podem-se invocar outros, tais como The Beach Boys, Big Star ou Bowie. São os vocais bem organizados e os sons melódicos que flutuam entre nós que trazem à memória esta nostalgia do glam rock. O resumido palco daquela salinha no HardClub foi pouco para presença que carregavam estes músicos, mas também a tornou mais evidente.
Pelas 21h30 entraram em palco os 4 protagonistas, que sem muitos rodeios deram início a uma apresentação extremamente enérgica. À contagem de três veio o salto de Brian que marcou os primeiros acordes, seguido do pontapé alto de Michael, o mesmo salto e pontapé que se repetiram vezes sem conta. Desta forma deu-se inicio ao concerto de apresentação do sexto álbum de Lemon Twigs, sob uma energia sem dúvida contagiante que fez o chão tremer de tantos pés que o pisaram.
Ao longo da atuação os irmão D’addario alternavam guitarras e momentos a solo, o pianista Danny Ayala, de formação clássica, saltitou entre o teclado e as cordas, bem como o baterista Reza Matin que de música em música alternava a sua posição no palco e lá vinha do fundo visitar de mais perto os espectadores. Foi uma dança de instrumentos, vozes e corpos que trouxeram muita dinâmica ao concerto, foi daqueles em que o tempo passa sem nos apercebermos, mesmo quando estamos perante uma situação nova, o meu caso!
Foi, durante 75 minutos, uma mistura de hits de álbuns anteriores e de novos singles, numa linha sempre ascendente que começou nos “anos dourados”, entenda-se «My Golden Years», seguida de «I’ve Got a Broken Heart» e «What You Were Doing», terminando com o coro e o abraço coletivo do público em músicas mais melódicas como «Corner of My Eye» – uma das minhas novas canções favoritas! —, «Joy» ou «Church Bells». Contudo, o fim reviveu com uma facilidade deslumbrante a energia do início com «How Can I Love Her More?» e «Rock On (Over and Over)»
Não conhecia a banda de antemão, ouvi alguns segundos das músicas melhor posicionadas no Spotify e fui, simplesmente. Fui, em busca de descobrir algo que já sentia que me iria conquistar e adivinhem: conquistou, e não foram precisos muito mais segundos de música. É como se já os conhecesse e fizessem parte das minhas escolhas musicais diárias.
“So many beautiful cities, But Porto is the one I love”, cantaram ao público que se rendeu de corpo e voz ao jovem grupo do início ao fim. Apesar das misturas e da natural obrigatoriedade de se apresentar as canções mais recentes, à partida menos conhecidas entre os fãs, não se sentiu qualquer transição ou quebra, a energia e a interação entre artistas e público foi constante.
Ver essa conexão tão natural, aquela alegria nos apelos e olhares dos que os esperavam naquela noite foi, de certa forma, emocionante. E no fim, depois de conhecer o grupo, surge-me um sentimento sobre aquelas pessoas que se assemelha à inveja, mas uma inveja positiva. Uma inveja de não ter conhecido mais cedo a banda, isto porque agora sinto uma necessidade enorme de os voltar a rever, mais consciente, para me permitir entregar como se entregou o público naquela noite de outubro no HardClub.
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