“A Família Corleone” | Ed Falco

“A Família Corleone” | Ed Falco

Sucessão bem entregue

Se Mario Puzo não tivesse escrito a saga “O Padrinho”, monumento literário que apresentou ao mundo a família Corleone, muito provavelmente não teria existido a série “Os Sopranos” ou outras tentativas de apresentar o retrato de uma família ligada à máfia ou o retrato, em grande plano, do cérebro que transformou uma simples linhagem num temível e (quase) intocável conglomerado. E, claro, não teria havido a fantástica adaptação de Coppolla ao grande ecrã onde, pela primeira vez na história do cinema, o segundo filme foi melhor que o primeiro e, o terceiro, nunca deveria ter visto a luz da projecção.

Edward Falco é um escritor italo-americano que cresceu em alguns dos bairros em que Mario Puzo viveu. Publicou vários romances, colectâneas de contos e peças de teatro até que, em 2012, decidiu atirar-se ao legado de Mario Puzo e escrever “A Família Corleone” (Bertrand Editora, 2014), uma prequela para O Padrinho que desvenda uma história familiar feita de violência, traição, lealdade e tradição.

Estamos no ano de 1933, em plena Grande Depressão, altura em que as famílias do crime da cidade de Nova Iorque aumentam o seu poder e conquistam novos territórios. Porém, quando a Lei Seca termina, tem início uma guerra que irá determinar quais os clãs que irão crescer e os que serão aniquilados pela violência.

Por esta altura, Vito Corleone está longe de se tornar no célebre Don. Michael, Fredo e Connie andam na escola, longe de saberem qual a verdadeira ocupação do pai e Tom Hagen, o filho adoptivo, passa os seus dias na Faculdade. A grande dor de cabeça de Vito é Sonny, o seu primogénito, a quem quer transformar num respeitável homem de negócios. Este, porém, tem outras ideias: seguir os passos do pai e tornar-se, também ele, um homem temido ligado ao lado mais obscuro dos negócios.

Seja para iniciados ou repetentes do universo de O Padrinho, “A Família Corleone” é um livro muito bem escrito e construído, que nos mostra de que forma Vito Corleone ascendeu à posição nº 1 – graças a uma mistura de inteligência, sangue-frio e rápida capacidade de decisão. O legado de Mario Puzo está em muito boas mãos.



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