“ACAMARRADOS”, de Enda Walsh

“Um pai e uma filha presos a uma cama suja. Cada um deles conta compulsivamente a sua história: o pai fala da ascensão e queda da sua empresa de móveis, a filha de um passeio na praia, das histórias que a mãe lhe lia — do que quer que seja, desde que encha o silêncio. Até que as histórias se cruzam, neste momento e nesta cama, onde é tudo frenético, cruel e feio, mas onde talvez seja finalmente possível uma verdadeira conversa entre os dois, e talvez consigam então parar e dormir.

Em “Acamarrados” o pai construiu paredes e mais paredes dentro de casa, até a filha estar numa caminha; pôs paredes à volta, e entrou, também ele, para a cama. E a história é: por que raio é que ele fez isso? E em termos da linguagem ou da estrutura da peça, isso precisa de ser filtrado pela cabeça dele, pela loucura dele. As frases… Se estivermos numa sala grande, eu posso continuar a falar sem parar, mas num espaço mais pequeno, se houver uma parede, tenho uma imagem visual das falas que voltam para trás. Por isso as frases têm de ser mais curtas, tem de haver mais staccato. Este tipo de coisas. Eu penso muito nos efeitos que o ambiente vai ter na linguagem, na psicologia das personagens, na estrutura da peça.”

Enda Walsh

“ACAMARRADOS” de Enda Walsh 
Tradução: Joana Frazão
Com: Carla Galvão e António Simão
Cenografia e Figurinos: Rita Lopes Alves
Luz: Pedro Domingos
Coordenação da Produção: Pedro Carraca e António Simão
M16

No Teatro da Politécnica de 23 Maio a 9 de Junho
4ªf às 21h00 | 5ªf a Sáb às 19h00



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