“PENÉLOPE” de Enda Walsh

Nas primeiras peças de Enda Walsh as suas personagens estão aprisionadas nos seus próprios mitos. Na sua peça Penélope ele avançou um pouco mais e mostra-nos 4 homens modernos confinados numa lenda de Homero. O resultado é uma peça louca e selvagem, bêbeda de linguagem, que nos intoxica. Penélope enganou os seus pretendentes ao longo de 20 anos enquanto esperava o regresso de Ulisses. Aqui Walsh mostra 4 homens de idades diferentes, refugiados do mundo dos negócios irlandês, numa competição pela mão de uma Penélope moderna. A estranheza vem do facto de viverem numa piscina vazia na propriedade de Penélope, com barbacoa, aparelhagem, televisão… e cada um faz uma última tentativa de conquistar a afeição de Penélope.

De certa forma, Penélope tem algo em comum com o drama Grego: como as tragédias antigas, começa com uma ideia pequena em Homero e cresce a partir daí. As personagens chegam a ter um sonho premonitório da violência que virá. Mas é também uma peça divertida em fatos de banho em torno de uma barbacoa que não conseguem ligar.

“Sempre me interessei pelos pretendentes,” diz Walsh, “nunca são explorados na arte. Temos este poema de procura heróica – e depois temos um patético de homens. Depois destes anos todos o que terá acontecido às medidas das suas cinturas ou à sua libido?”

Vitrine

“PENÉLOPE” de Enda Walsh
Tradução: Joana Frazão
Com: Joana Barros, João Vaz, José Neves(*), Pedro Carraca, Pedro Luzindro
Cenografia e Figurinos: Rita Lopes Alves
Luz: Pedro Domingos
Encenação: Jorge Silva Melo
M16
(*) Gentilmente cedido pelo TNDM II

No Teatro da Politécnica de 30 de Maio a 30 de Junho
4ª às 19h00 | 5ª e 6ª às 21h00 | sáb às 16h00 e às 21h00



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