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Coisas de Homem

e de Mulher. Coisas que poderiam ser de todos nós.

Franz Xaver Kroetz, “o mais aclamado e controverso dramaturgo contemporâneo”, traz-nos “Coisas de Homem” (versão original “Männersache”, 1972), pela encenação e versão dramatúrgica de Maria Emília Correia e interpretação ao cargo de Ângela Pinto e Hélder Gamboa, uma produção da Tenda no Teatro da Trindade.

Um texto bem ao estilo de Kroetz. Carisma violento, a fim de chocar o público; provocar emoções fortes. Texto denso que, no final, nos faz bater palmas de olhos estupefactos e sair da sala de boca aberta.

Martha (Ângela Pinto) é uma mulher frustrada. Obrigada a desempenhar um papel na sua vida profissional e pessoal. Uma dor em silêncio, invadida por gritos mudos de ofensas e ausência de afecto.

Um retrato levado ao extremo das realidades sociais e políticas das mulheres e da violência doméstica, partilhando todas estas emoções, em confronto constante com Otto (Hélder Gamboa), que nos leva a crer num final trágico.

Coisas da mente humana, coisas da cor da carne. Da carne do talho onde trabalha Martha.

"Coisas de Homem"

Um espaço sem grandes complexidades, fácil de leitura, mas muito denso e cru, animalesco. Nu de felicidade e vestido de dor. E isso tudo está espelhado no espaço cénico, a cargo de Rui Filipe Lopes.

“Há um toque surrealista na instalação mas também de film noir, expressionista, que passa também pela iluminação que é fria, meditativa, complementada com sombras que recortam os objectos. Lembro-me de nas primeiras conversas que tive com a Maria Emília Correia termos deixado logo isso claro; esta seria uma instalação referenciada, inspirada nos artistas alemães expressionistas do início do século XX.”

É mais instalação do que cenário, devido às características contemporâneas a que podemos assistir. Toda essa instalação está cheia de símbolos, pormenores que entram imediatamente na vida das personagens, que também fazem parte da história e que contribuem para uma realidade maior.

“Há correntes que simbolizam no fundo o passado desta mulher que vive acorrentada à herança do pai, que faz questão de afirmar que é independente e que vive bem com o tipo de vida que tem mas que não escolheu.”

Uma história forte. Que poderia ser de qualquer um de nós. Coisas de Homem, coisas que só as Mulheres teriam capacidade.

TEATRO DA TRINDADE (SALA ESTÚDIO), Lisboa
de 24 de Maio a 24 de Junho
Quarta-feira a Sábado às 21H45 | Domingo às 17H00



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