Do Beliche à Culatra: praias, vela e marisco para este fim de semana
De Sagres a Olhão, o roteiro da semana junta uma praia entre falésias, uma ilha sem carros, o trilho mais bonito do sul e duas mesas onde o verão sabe a mar.
Há semanas em que o Algarve parece caber todo num só dia: uma manhã de falésias a pique no Barlavento, uma tarde de ria mansa no Sotavento e, pelo meio, o cheiro inconfundível do marisco na grelha. Esta semana, o roteiro estica-se de Sagres a Olhão, com uma praia encaixada entre penhascos, uma ilha sem carros, um trilho que é património de todos nós e um pôr do sol vivido a bordo. Julho vai a meio, a água está no ponto e as férias Algarve 2026 pedem exactamente isto. Venha daí — o fim de semana Algarve começa agora.
Praias & Natureza
Entre a vila de Sagres e o Cabo de São Vicente, a Praia do Beliche é das últimas praias da Europa continental antes do grande Atlântico — e sente-se. Desce-se por uma escadaria íngreme de cerca de cem degraus talhada na falésia, e lá em baixo espera-nos um areal dourado encaixado entre paredes verticais que cortam o vento norte e guardam o calor da tarde. É um dos segredos mal guardados dos surfistas, que aqui encontram ondas consistentes quando o swell de noroeste chega, mas em julho é sobretudo um refúgio para quem quer fugir à multidão da Mareta. No verão há apoio de praia, espreguiçadeiras e vigilância; ainda assim, convém levar água e chegar cedo, porque o pequeno estacionamento no topo da arriba enche depressa. Fique para o fim do dia: o pôr do sol visto daqui, com o Cabo de São Vicente ao lado, é dos mais bonitos do país.
Do outro lado do mapa, no coração do Parque Natural da Ria Formosa, a Ilha da Culatra é o Algarve em modo descalço. Parte-se do cais de Olhão — no verão há cerca de dez ligações diárias, com bilhetes à venda junto ao embarcadouro — e meia hora depois desembarca-se numa aldeia de pescadores onde não há carros, só passadiços, redes a secar e casas baixas pintadas de branco. Atravesse a povoação e siga o passadiço durante uns vinte minutos até ao areal atlântico, imenso e quase vazio mesmo em pleno julho. Quem quiser ir mais longe pode caminhar até ao núcleo do Farol, coroado pelo farol do Cabo de Santa Maria. Do lado da ria, a água é mais quente e mansa — perfeita para os mais pequenos e para quem prefere nadar sem ondas.

Experiências de verão
Se procura o que fazer no Algarve no verão de 2026 para lá da toalha, comece pelo Percurso dos Sete Vales Suspensos, no concelho de Lagoa — eleito várias vezes um dos mais belos trilhos costeiros da Europa. São 5,7 quilómetros entre a Praia da Marinha e a Praia de Vale de Centeanes (11,5 se fizer ida e volta), sempre à beira da falésia, com o algar de Benagil, o túnel da Praia do Carvalho e o famoso arco duplo da Marinha como recompensas pelo caminho. É gratuito e não precisa de guia, mas em julho a regra é sagrada: parta antes das nove da manhã, leve chapéu, protector e mais água do que julga necessária, porque a sombra é praticamente inexistente. Conte com quatro a seis horas para o percurso completo — e com vontade de mergulhar em cada enseada que avistar lá de cima.
Ao fim do dia, troque a terra pelo mar. A Sunset Experience da AlgarExperience parte da marina de Vilamoura a bordo de um catamaran à vela e segue a costa em direcção às grutas de Albufeira enquanto o sol desce sobre o Atlântico. São cerca de duas horas e meia a três horas de navegação tranquila, com welcome drink servido a bordo e, nas saídas mais longas, uma paragem para um mergulho ao entardecer. É uma daquelas experiências que fazem o verão algarvio valer por si — a luz dourada nas falésias, o silêncio do barco à vela, o primeiro fresco da noite. Os preços variam consoante a embarcação e a duração, e em julho e agosto a reserva online antecipada é obrigatória: os lugares esgotam depressa.

À mesa no Algarve
Em Quarteira, na avenida marginal, a Marisqueira Sol e Mar é a prova de que as boas marisqueiras Algarve adentro não precisam de artifícios. Nasceu em 2000 como um pequeno snack-bar e cresceu até se tornar paragem obrigatória de quem leva o marisco a sério: o aquário à entrada dita o menu do dia, das amêijoas aos percebes, da gamba tigre aos búzios e ao lavagante. O pedido certo é a mariscada à Sol e Mar, a travessa da casa, regada com vinho branco bem fresco e rematada com um arroz de marisco a fumegar. Conte com cerca de 38 euros por pessoa numa refeição completa, portas abertas todos os dias do meio-dia às 23h00 — e, em julho, reserva feita com antecedência ou paciência para a fila.
Em Lagos, o verão tem morada certa: o Camilo, empoleirado sobre a Praia do Camilo, na estrada da Ponta da Piedade. A casa está na mesma família há mais de quatro décadas e é daqueles lugares onde o peixe do dia se escolhe quase com os pés na areia: ostras, amêijoas, atum e o peixe fresco na grelha, servidos numa sala envidraçada com o mar por todo o lado. A cozinha funciona em contínuo entre as 12h00 e as 21h30, os preços rondam os 25 a 40 euros por pessoa e a reserva por telefone é mais do que aconselhada — às horas de ponta do verão, sem mesa marcada dificilmente há milagres. Peça uma mesa junto à janela ao fim da tarde e perceberá porque é que há quem marque férias só para voltar aqui.

Do degrau número cem do Beliche ao passadiço da Culatra, das falésias suspensas de Lagoa ao convés de um veleiro em Vilamoura, esta semana o Algarve prova outra vez que não há verão igual ao seu. Escolha um lado do mapa — ou, melhor ainda, os dois — e deixe que o sal faça o resto. Na próxima sexta-feira voltamos com mais praias Algarve 2026, mais mesas e mais razões para descer até ao sul. Até lá, bom fim de semana.
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