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Seis mesas para julho: do balcão omakase de Lisboa ao mar do Algarve

De uma nova casa de massa fresca na Baixa a uma estrela Michelin com vista para a baía de Lagos, o roteiro desta semana é para comer devagar.

Julho instalou-se e, com ele, a vontade de comer fora sem pressa. A cena gastronómica portuguesa vive um momento particularmente vivo: em Lisboa, as aberturas dos últimos meses vão da massa fresca italiana ao balcão omakase mais puro; no Porto, o Guia Michelin acaba de reconhecer uma nova geração de chefs enquanto nomes consagrados regressam ao produto e à brasa; e no Algarve, a época alta traz de volta as marisqueiras de sempre e as mesas com vista para o mar. Esta semana, escolhemos seis moradas — duas por região — para reservar antes que o verão as esgote.

Lisboa — à mesa

Junto à Igreja de São Nicolau, na Baixa Pombalina, o Trama é o novo projecto do chef Kelvin Muñoz, que muitos conhecerão do Grano. Entre belas arcadas em pedra, a casa dedica-se à massa fresca italiana com influências do mundo e sabores do mar — e é aí que a coisa fica interessante. O pappardelle com ragù de costela leva um inusitado toque de café, o tortelloni junta camarão e leite de coco, e até o tiramisù ganha nova dimensão com a adição de miso. Nos dias de calor, a esplanada tranquila é um refúgio inesperado do rebuliço turístico da Baixa. Conte com preços moderados (€€) e apetite para repetir.

Poucos minutos acima, na zona da Avenida da Liberdade, o Zō Omakase instalou-se nos antigos armazéns de vinho do restaurante A Gina e é, talvez, a experiência japonesa mais depurada da cidade neste momento. São apenas 15 lugares ao balcão e um menu de 15 momentos que muda todos os dias, consoante o que o mar dá: peixe galo e cavala de Sesimbra, dourada do Algarve, lírio dos Açores. Thalles Boniatti, o anfitrião, recusa fusões e excessos de molho — a apresentação é minimalista e o produto manda. Entre os pratos de assinatura, o pudim chaomushi com camarão tigre e a enguia grelhada do unagui no kabayaki justificam sozinhos a reserva, obrigatória e com antecedência (€€€).

Balcão do Zō Omakase, em Lisboa, com nigiris de peixe nacional
No Zō Omakase, 15 lugares ao balcão e um menu que muda com o mar. Foto: Time Out Lisboa

Porto — novidades e clássicos revisitados

Do outro lado do país, em Leça da Palmeira, o Feitio (Rua Francisco Sá Carneiro, 59) é uma das aberturas mais faladas do início de 2026 — e com razão. O chef David Jesus, nome consolidado na alta cozinha nacional e responsável pelo aclamado vegetariano Seiva, mesmo ao lado, sentiu falta de trabalhar a proteína e abriu esta casa de “receitas que toda a gente conhece”: peixe do dia na brasa, bacalhau frito com cebolada, feijoada de choco, carne de porco à alentejana, bochechas de porco preto estufadas com arroz de forno. É comida de memória com precisão de chef, num ambiente que privilegia o conforto, e a conta ronda uns honestos 25 euros por pessoa (€€).

Já no coração do Porto, na Rua do Morgado de Mateus, o Atrevo vive um novo capítulo desde que Rita Magro assumiu a cozinha. A chef de 29 anos, que conquistou uma estrela Michelin no Blind em 2024 — ano em que foi também distinguida como Jovem Chef pelo Guia —, trouxe consigo uma cozinha de ingrediente que já valeu à casa a entrada na lista de recomendados do Guia Michelin Portugal 2026, anunciada em março. O espaço é intimista, com três ambientes distintos e um balcão de inspiração japonesa virado para a cozinha, e o menu de degustação “Atrevido”, de seis momentos, é a melhor porta de entrada para perceber o que esta nova geração portuense anda a fazer (€€€, reservas aconselhadas).

Algarve — a mesa do verão

Em Albufeira, a marisqueira e cervejaria Cais ao Mar ganhou nova morada no centro da cidade, na Rua Almeida Garrett, 27 — o espaço onde durante anos funcionou a famosa Delícias do Mar. À frente está César Lourenço, mestre marisqueiro com percurso no Pesqueiro 25 e no Cais ao Mar de Lisboa, que aqui serve o marisco “ao natural”, sem truques: percebes, bivalves da costa, sapateira e um arroz de marisco que é caso sério. A sala tem 64 lugares e um terraço onde apetece esperar mesa com uma imperial e uns petiscos, e nas noites de verão a espera acontece — chegue cedo ou reserve (€€€).

Para uma noite especial, o caminho faz-se até Odiáxere, no concelho de Lagos, onde o Al Sud, no resort Palmares Ocean Living & Golf, mantém a sua estrela Michelin com uma vista arrebatadora sobre a baía de Lagos. O chef Louis Anjos constrói os menus de degustação — em versões de seis e nove momentos — como um tributo ao Algarve entre o mar e a serra: camarão da costa, pregado, borrego alentejano, porco ibérico. Com apenas 24 lugares e serviço exclusivamente por reserva, é daquelas mesas que na época alta se marcam com semanas de antecedência — e a conta, a rondar os 190 euros, paga uma experiência que fica na memória muito depois do verão (€€€).

Vista do resort Palmares, em Lagos, onde fica o restaurante Al Sud
O Al Sud, com estrela Michelin, debruça-se sobre a baía de Lagos. Foto: Essential Algarve

Seja qual for o ponto do mapa onde julho o apanhar, a mesa portuguesa está a viver um dos seus melhores momentos — entre novos restaurantes em Portugal em 2026 que arriscam e clássicos que se reinventam sem perder a alma. Dos pappardelle da Baixa aos percebes de Albufeira, o difícil é escolher onde jantar entre Lisboa, Porto e Algarve. O nosso conselho é simples: reserve já uma destas seis moradas e deixe o resto ao acaso. Para a semana, voltamos com mais descobertas.



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