Do Sotavento ao Barlavento: o Algarve que vale a pena descobrir este verão
Das enseadas secretas à mesa junto à ria — seis razões para não sair do Algarve este fim de semana
Há um Algarve para além dos cartazes de agência de viagens — um onde o acesso se faz por túneis escavados à mão na rocha, onde a balsa atravessa a ria ao amanhecer com a luz ainda cor de mel, e onde o peixe sai do mar para a brasa sem passar pela câmara frigorífica. Cada verão é uma oportunidade de o redescobrir: ir um pouco mais longe, chegar um pouco mais cedo, perguntar ao pescador qual é o peixe do dia antes de sentar à mesa. Esta semana, do Sotavento ao Barlavento, há seis razões para ficar — duas praias que se guardam como segredo, duas experiências que ficam na memória, e duas mesas onde o Algarve prova que sabe muito bem o que tem.
Praias & Natureza
A Praia do Carvalho, perto de Carvoeiro, no concelho de Lagoa, começa antes de se ver o mar. O acesso faz-se por um túnel escavado na falésia — estreito, de pedra viva, com fósseis marinhos incrustados nas paredes — que abre subitamente para uma enseada dourada de areia fina, encaixada entre arriba e oceano. Não há bar, não há espreguiçadeiras, não há guardas-sol de aluguer: há apenas o Atlântico, as gaivotas e a água de uma transparência que parece injusta. É precisamente por isso que se torna tão especial. A praia é pequena e, em julho e agosto, enche depressa — chegar antes das dez da manhã é a regra não escrita de quem já cá esteve. O estacionamento fica no topo da falésia, com alguns minutos de caminhada até à entrada do túnel. Não há sombra natural, por isso leve chapéu, protetor solar e água em abundância. As praias Algarve 2026 têm muitos candidatos a favoritas, mas o Carvalho guarda sempre uma surpresa para quem o descobre pela primeira vez.

No outro extremo do Algarve, no Sotavento, a Ilha de Tavira pede uma abordagem diferente: não se chega de carro, não se chega a pé. Chega-se de balsa, a partir do cais de Quatro Águas — a dois quilómetros de Tavira — numa travessia de cinco minutos pela Ria Formosa que já vale a vinda. A ilha é uma das cinco ilhas-barreira do parque natural, com quilómetros de areia branca e fina, água mais quente do que a costa atlântica e um ambiente de tranquilidade rara para o verão algarvio. Há esplanadas, restaurantes de praia e algum apoio balnear, mas a ilha tem dimensão suficiente para que quem queira solidão a encontre, a dez minutos a pé do pontão. Os ferries partem de Quatro Águas regularmente, com bilhete de ida e volta a 1,70 €, e a última viagem de regresso está habitualmente marcada para as 19h — confirme sempre no cais. É o tipo de fim de semana Algarve que se repete sem culpa.
Experiências de verão

As Grutas de Benagil são já uma das imagens de cartão postal mais reproduzidas do sul da Europa — e com razão. A cúpula de calcário que abre para o céu, a luz a entrar em diagonal sobre a areia interior, o mar verde-esmeralda a lamber as paredes: é uma das paisagens mais extraordinárias da costa portuguesa. O que fazer no Algarve verão 2026 sem passar por aqui seria uma omissão difícil de justificar. Há várias formas de chegar: de barco, numa excursão de 45 minutos a uma hora a partir da Praia de Benagil ou de Portimão, com operadores como a Taruga Benagil Tours ou a Ocean 4 Fun; ou de kayak, para quem quer uma experiência mais física e mais íntima, com preços a partir de 30 € por adulto. Em plena época, os lugares esgotam com vários dias de antecedência — a reserva online é obrigatória. O kayak tem a vantagem de entrar diretamente na gruta, enquanto os barcos maiores ficam na entrada. Escolha com base no que quer sentir: a maravilha de longe, ou a maravilha por dentro.

A poucos quilómetros a leste, a Ria Formosa oferece um Algarve completamente diferente — mais silencioso, mais selvagem, mais surpreendente. A Algarve Nature Tours, com saídas a partir de Olhão, oferece tours de kayak e stand-up paddle pelos canais da ria, com guia especializado em ornitologia que identifica as mais de 200 espécies de aves que aqui nidificam ou passam. Junho é um dos melhores meses para birdwatching na ria: as temperaturas ainda são amenas de manhã, a maré baixa expõe os bancos de areia onde flamingos, garças e limosas pousam, e os guias conhecem cada canal como se fossem estradas velhas. Os tours duram entre 2h e 3h, com preços que variam entre 35 € e 55 € por pessoa. Recomenda-se reserva antecipada, especialmente ao fim de semana. É uma das férias Algarve 2026 que ficam na memória — não pelo adrenalina, mas pela calma.
À mesa no Algarve

Em Cabanas de Tavira, o Restaurante Noélia & Jerónimo é há anos uma das mesas mais desejadas do Algarve — e a chef Noélia Jerónimo tornou-se ela própria numa embaixadora da cozinha algarvia, a ponto de lhe chamarem a “chef do Algarve”. O restaurante fica mesmo à beira da ria, com a esplanada a olhar para os canais da Ria Formosa, e muito do que chega à mesa foi pescado ou colhido a poucos metros daqui. As amêijoas à Bulhão Pato chegam às mesas a fumegar, o arroz de tamboril tem a consistência certa, e as pataniscas de polvo são lenda local. Os mariscos de Cabanas de Tavira têm uma frescura que se sente logo na primeira garfada. A reserva é obrigatória em época alta — e deve ser feita com semanas de antecedência. Preço médio: €€€. Aberto todo o ano, mas a esplanada no verão é o cenário certo para esta cozinha.
Para uma experiência diferente — mais descontraída, mais popular, mais algarvia no sentido mais genuíno da palavra — a Casa de Pasto Zé Leiteiro, em Armação de Pera, é uma revelação. O formato é simples e eficaz: rodízio de peixe grelhado, a preço fixo e acessível (à volta de €18 por pessoa), com robalo, corvina, carapau, sardinhas e o que o mar trouxer naquele dia, a sair continuamente da brasa para as mesas. Não há reservas, o que significa que a lista de espera pode demorar — mas o ambiente de tasca de praia, com famílias e surfistas e reformados lado a lado, é parte do encanto. Fica a menos de cem metros da praia, num dos restaurantes Algarve junho que melhor encarnam o espírito do verão: sem pose, sem pressa, com o cheiro a peixe na brasa a misturar-se com o sal do ar. Fechado em época baixa — em pleno verão, esteja lá.
O Algarve de junho tem uma qualidade particular: ainda não perdeu a calma de maio, mas já tem todo o calor de agosto. As praias enchem, mas não abarrotam. Os restaurantes ficam animados, mas ainda se consegue mesa. A luz ao fim do dia dura o suficiente para uma última mergulhada antes do jantar. Se há altura certa para ir — ou para voltar — é esta. Na próxima sexta, regressamos com mais descobertas.
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