NOS Alive’26 | Dia 2 (10.07.2026)
Um dia eclético, não só nos géneros, mas também no público e até nas idades que circulam pelo recinto.
The Warning são três irmãs mexicanas de Monterey, Daniela “Dany” Villarreal (guitarra, voz, piano), Paulina “Pau” Villarreal (bateria, voz, piano) e Alejandra “Ale” Villarreal (baixo, piano, voz), que abraçam o rock e tomam o seu lugar no Palco NOS à hora certa. Uma versão latina das Haim, mas com um som mais musculado e, porque é justo dizê-lo, com outras influências. Bateria, uma guitarra e uma guitarra baixo, para garantir que três é o número pessoas estritamente necessário em palco e, mesmo assim conseguirem, com mérito dar ideia de que há mais elementos em palco. Entre riffs feitos para cativar e coros para cantar em coro (desde que se saiba, naturalmente), revelam-se uma escolha acertada, alternando entre um registo em inglês e espanhol, que vai abrindo caminho – e sempre em crescendo – para o que o Palco NOS irá oferecer ao longo das próximas horas.
Os Skunk Anasie, banda de Skin têm sido uma presença constante por cá. A relevância actual não é a mesma, mas continuam a contar para o seu público. Isso é incontornável. Se juntarmos a isso a presença única e Skin, o resultado é no mínimo interessante. O alinhamento é exactamente aquilo que se espera, com uns laivos de música nova pelo meio, porque há álbum novo a caminho («Artist Is an Artist» é um exemplo disso). «Charlie Big Potato» leva-nos 20 anos atrás ou mais. Skin mantém uma forma e uma presença invejáveis para os seus 58 anos. Já a veia política está mais forte, mais vincada e presente do que nunca. É activismo na forma que se quer. Que causa desconforto, que se faz ouvir e com uma plataforma que lhe garante projecção. «Hedonism» é um escapismo. «Weak» é um abanão e seguimos para espreitar Jehnny Beth.
O concerto de Jehnny está a meio quando chegamos ao Heineken, depois de um pit stop para repor calorias. Não está cheio, mas está intenso e há elementos do público em palco. Baton borrado sobre os lábios. Há covers de Björk, «Army of Me», e de David Lynch, «In Heaven». Um concerto completamente diferente do que apresentou no Mexefest, aqui é mais visceral, mais cru.
Os Wolf Alice têm vindo a percorrer um trajecto próprio. Quando chegamos ouve-se «Lisbon». É uma canção de origens para a banda e para alguns de nós nativos ou adoptados. Mas somos retidos aqui por pouco tempo, porque os The War On Drugs chamam por nós no extremo oposto do recinto.
É o reencontro com Adam Granduciel, sempre com os seus óculos de sol, e um palco sempre cheio de músicos, para todos juntos celebrarmos uma Americana que diverge do rumo que o país que lhe deu origem está a seguir. As canções são longas, respira-se profundamente em cada um delas; uma inspiração os teclados falam, noutra são as guitarras numa textura própria, e na seguinte surgem como uma mescla com a bateria a dizer presente. Cada canção parece uma celebração e o fio condutor varia sempre, o que torna tudo mais interessante.
Os Foo Fighters são uma instituição. Não há medo de arrancar a abrir, sempre com a guitarra de Dave Grohl a liderar, e juntando a isso o término da digressão europeia. A componente intergeracional está verdadeiramente presente. Junte-se a isso a presença de Grohl, num arranque quase sem pausas entre canções ao de som de «All My Life», «The Pretender», «Times Like These» e «Rope». Eis que «My Hero» nos abraça, a que se segue «Learn to Fly», para de seguida Grohl mostrar os seus dotes de comunicador enquanto introduz «These Days».
O espírito de Lemmy Kilmister, vocalista dos Motörhead continua presente. Vive no snippet de «Ace of Spades» que escutamos em «No Son of Mine». Já «Marigold», a única canção que foi editada pelos Foo Fighters e pelos Nirvana (como um lado-B de «Heart Shaped Box»). Cheirou a grunge.
E como que do nada surge um cover de «One Headlight», do projecto de Jakob Dylan, os Wallflowers. Os Foo Fighters são uma verdadeira caixinha de surpresas. Um pouco mais à frente surge «Monkey Wrench», como que a dizer que há ordem no caos, seguida de «Breakout». «Aurora» é dedicada ao Taylor Hawkings. A fechar fica uma tríade. «Best of You» é apresentada em modo extended version, a que se segue «Exhausted». Sem surpresas o concerto termina ao som de «Everlong». Um concerto que cumpriu, que teve óptimos momentos, mas do qual não conseguimos sacudir de imediato a sensação de que poderia ter sido um pouco mais curto (teve cerca de 2h30 de duração).
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Leiam aqui as reportagens do primeiro e terceiro dia do festival.
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