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As Pessoas Felizes Lêem e Bebem Café

De Agnès Martin-Lugand.

Um dos livros que mais passou pelas mãos dos portugueses este ano, pelo título aliciante e por fazer parte da selecção de livros do Clube do Livro da Sic, Pessoas Felizes lêem e bebem café (2014, Guerra e Paz), de Agnès Martin-Lugand, promete uma fórmula para aquilo que mais desejamos – a felicidade – que, no entanto, acaba por não revelar. Porque, no fundo, a felicidade não é um resultado. A felicidade é uma escolha, mas não é uma escolha fácil.

Pessoas felizes lêem e bebem café é o nome que Diane, a personagem principal deste romance, escolheu para o café literário que partilha com o seu melhor amigo, Félix. Conhecemos Diane num estado crítico da sua batalha pessoal para ultrapassar a morte súbita do seu marido, Colin, e filha, Clara, num trágico acidente de automóvel. Sem vontade de se separar de tudo o que, de alguma forma, ainda representa aqueles que perdeu, Diane ignora o passar dos dias no mundo fora do seu apartamento. Vestida com as roupas do marido e rodeada dos pertences da filha, tolera apenas a companhia de Félix, que tenta, como pode, ajudar a amiga a ultrapassar – se é que tal é possível – a dor que a consome.

Recordando o desejo do marido de viajar até à Irlanda, Diane fecha os olhos sobre o mapa e escolhe uma pequena região irlandesa, Mulranny, onde pretende exilar-se. E é desde este momento inicial, da decisão tomada à organização da viagem, que Diane começa a reaprender, em passinhos muito pequenos, como viver (ou meramente funcionar) sozinha.

No entanto, solidão e isolamento não são exactamente aquilo que a nossa personagem vai encontrar na Irlanda. Na pequeno região em que escolhe refugiar-se do mundo, Diane é recebida pela curiosidade e pela atenção de todos os seus habitantes, acabando por fazer novos amigos improváveis, incluindo o seu rabugento vizinho, Edward. Também adepto da solidão, é este fotógrafo que vai puxar Diane da sua apatia (e, em certa medida, vice-versa). Primeiro através de um profundo choque de personalidades antagónicas, que depois evolui para uma atracção mútua.

Ao longo deste romance, acompanhamos a descoberta de Diane, que aprende a escolher a felicidade, em detrimento dos hábitos que servem apenas para perpetuar a sua dor. Porque escolher a felicidade não significa esquecer o passado, Diane regressa a Paris, para dar uma nova vida a uma importante parte de si, o café literário As pessoas felizes lêem e bebem café.



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