“Muito mais do que um jogo” | Luís António Coelho

“Muito mais do que um jogo” | Luís António Coelho

As caipirinhas estão servidas

Arrasta multidões, provoca discussões, mantém vivas amizades, põe o coração a girar loucamente que nem uma rodela de 45 rotações. Não se preocupem, não vamos falar aqui de política ou economia. Trata-se antes do futebol, conhecido como o desporto-rei, que movimenta mais dinheiro do que a Feira da Ladra num belo dia de sol.

Em criança, Luis António Coelho desejou ser – e por ordem – cowboy, futebolista, piloto de F1 e tenista. Na adolescência baixou a fasquia e apontou baterias às ocupações de escritor e realizador de cinema, chegando à idade adulta sem fazer nada daquilo que lhe parecia estar destinado. Porém, depois de um variado percurso profissional que incluiu trabalhar numa loja de música ou num hospital tratando da aquisição de medicamentos, Luís Coelho editou o seu primeiro livro, que lhe permitiu conciliar duas paixões que o tempo não apagou: a escrita e o futebol.

Muito mais do que um jogo” (Guerra & Paz, 2014) recupera algumas das mais dramáticas e divertidas histórias ocorridas em Mundiais de Futebol, desde o ano de 1930 até hoje: o primeiro campeonato, disputado no Uruguai por convite, que teve episódios tão caricatos como um treinador arbitrar encontros de selecções adversárias ou um rei que escolheu pessoalmente os jogadores da selecção do seu país; um jogador que foi vice-campeão pela Argentina e, quatro anos depois, campeão pela Itália; o impensável mundial perdido pelo Brasil perante 200 000 espectadores; uma selecção considerada imbatível que, apesar de marcar 27 golos durante a competição, não foi campeã; Garrincha, o anjo das pernas tortas e um dos melhores futebolistas de sempre; Yashin, a aranha-negra, que antes de defender de pé havia experimentado o hóquei em patins; o irreverente e criativo sistema de jogo imposto pela Laranja Mecânica; um Mundial assombrado pela ditadura que deixou eternas suspeitas de corrupção; a mão de Deus e uma cabeça tomada pela raiva.

Transformando o saber enciclopédico em pequenos e empolgantes contos, sempre com uma dose bem servida de humor, Luis António Coelho fala do futebol como um romance de capa e espada, num livro que agradará até àqueles que não gostam de ver 22 tipos a correr desenfreados atrás de uma bola. O aperitivo perfeito para o Mundial que se avizinha.



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