“Atom & Void” domina a 4.ª edição dos Prémios Curtas com sete galardões
A curta-metragem de Gonçalo Almeida foi a grande vencedora da noite, numa cerimónia recheada de emoção que também destacou Maria do Céu Guerra com um Prémio de Carreira.
A 4.ª edição dos Prémios Curtas ficou marcada pelo domínio de “Atom & Void”, a curta-metragem de Gonçalo Almeida que arrecadou sete estatuetas numa única noite, incluindo os prémios mais cobiçados da competição. A cerimónia, que reuniu cineastas, actores e profissionais do cinema português, celebrou também a introdução de uma nova categoria e homenageou a carreira de Maria do Céu Guerra.
“Atom & Void”: a grande triunfadora da noite
A curta-metragem “Atom & Void”, realizada por Gonçalo Almeida, foi a grande vencedora desta 4.ª edição, recolhendo sete prémios ao longo da noite. Entre as categorias conquistadas, destacam-se os galardões de Melhor Curta de Ficção, Melhor Realização, Melhor Fotografia — entregue a Alex Grigoras — e Melhor Montagem, que premiou Ricardo Saraiva. A produção venceu ainda nas categorias de Efeitos Visuais, Direcção Artística e Som/Efeitos Sonoros.
O resultado confirma “Atom & Void” como um dos trabalhos mais ambiciosos e tecnicamente sofisticados do cinema de curta-metragem português recente, uma obra que soube conjugar a visão artística do realizador com um corpo técnico de elevado nível.
Outros destaques: “Tapete Voador” e “Antígona”
Para além do domínio de “Atom & Void”, a cerimónia destacou dois outros títulos. “Tapete Voador” levou para casa os prémios de Melhor Ator, atribuído a Ivo Arroja, e de Melhor Actriz Secundária, que recaiu sobre Joana Bernardo — reconhecimentos que sublinham a qualidade interpretativa desta produção.
Já a curta “Antígona, ou a História de Sara Benoliel” brilhou em duas categorias: Cáthia Sophia foi distinguida com o prémio de Melhor Actriz, enquanto Francisco Mira Godinho recebeu o galardão de Melhor Argumento, consolidando o nome do realizador como uma das vozes mais originais do cinema português de curta-metragem.
Nova categoria: Melhor Curta Experimental estreia-se com “Crua + Porosa”
Uma das novidades desta edição foi a criação da categoria de Melhor Curta Experimental, introduzida pela primeira vez nos Prémios Curtas. O galardão inaugural coube a “Crua + Porosa”, de Ágata de Pinho, num reconhecimento da crescente vitalidade das propostas formalmente mais arrojadas no panorama das curtas-metragens nacionais.
Nas restantes categorias, o prémio de Melhor Curta Documental foi para “Stop – Salas de ensaio para um materialismo histórico”, de Jorge Quintela, e o de Melhor Curta de Animação distinguiu “Porque Hoje é Sábado”, de Alice Eça Guimarães.
Maria do Céu Guerra homenageada com o Prémio Cintra de Carreira
Um dos momentos mais emotivos da noite pertenceu à entrega do Prémio Cintra de Carreira a Maria do Céu Guerra, actriz e encenadora com mais de seis décadas de dedicação às artes performativas. A distinção reconhece a contribuição incontornável de uma das figuras mais marcantes da cultura portuguesa, cuja carreira atravessa o teatro, o cinema e a televisão.
A homenagem foi recebida com uma ovação prolongada por parte de todos os presentes, num momento de reconhecimento à memória viva do teatro e do cinema nacionais.
O Júri e os parceiros desta edição
O Júri desta 4.ª edição contou com 15 elementos, entre eles Isabél Zuaa (artista multidisciplinar), Lília Lopes (actriz e escritora), Rafael Fonseca (realizador e crítico de cinema), Samuel Andrade (cronista de cinema e projeccionista na Cinemateca Portuguesa) e Hugo Gomes (crítico de cinema), entre outros profissionais da área cinematográfica e cultural.
A edição contou com o apoio institucional da Câmara Municipal de Lisboa e teve como parceiros oficiais a Elvas Film Office, o RONCA – Cineclube de Elvas, a FILMIN, o Canal Q e várias outras entidades ligadas à cultura e ao cinema português.
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