CATCH-MY-SOUL

CATCH MY SOUL

Um apanhado de verdades

Mais do que captar a atenção, este espetáculo pode mesmo apanhar algumas almas, a começar pelo texto. Das primeiras vezes que o ouvi pensei “Isto é uma chapada na cara para muita gente”, inclusivé até cheguei a comentar durante os ensaios.

Catch My Soul fala sobre a indiferença de quem tem conhecimento dos conflitos mundiais por vias indiretas: a televisão, as redes sociais, os jornais, etc. Não é uma lição de moral, é um olhar sobre as guerras que estão longe de nós e como seria se de repente tudo se invertesse. Será que continuaríamos indiferentes? Talvez tivéssemos de aprender tudo de novo, até de tolerar as mínimas coisas que nos irritam. Talvez fôssemos querer ter feito uma quantidade de coisas que a guerra nos faria arrenpender de não ter feito… “Sinto-me estúpido por conhecer tão tardiamente a música do David Bowie.”

Catch My Soul é o reflexo do que muitos pensam e não têm coragem de dizer. Isto porque mesmo numa sociedade que se diz livre para se expressar, acaba por ser mais fácil deixarmo-nos acobardar no conforto do quotidiano – “O medo é pior que a fome, não tem fim. É uma boca que se devora a si mesma. Nem o nada sobra.”

Em cena estão dois mundos: o da luta interior e do desgaste físico, e o de uma espécie de consciência irónica que nos põe em dúvida à mínima fragilidade. Apesar da parafernália de coisas a acontecer durante o espetáculo, ambos os mundos se apresentam de modo sombrio. As luzes são uma constante instável, os vídeos são a preto e e branco e o lip sync tem um ar retro, contudo todos os momentos parecem pensados para que o espectador se mantenha acordado para a urgência do texto, isto é, para o que nos passa ao lado porque nos é distante.

É uma visão apocalíptica, como o próprio encenador afirma. Mas quantas e quantas vezes não precisam os humanos de se verem numa situação de aflição ou de recta final para fazer a coisa certa? Ou pelo menos de se abstraírem de um mundinho de futilidades para se aperceberem da realidade em que vivem.

Catch My Soul estreou a 10 de fevereiro e espera pelos interessados todas as sextas e sábados, até 11 de Março num espaço, que pelos espetáculos que tem apresentado nos últimos tempos, merece ter sempre a sala cheia.

Texto e encenação – Rui Neto
com Sofia Ângelo e Tiago Costa

Design de cena – Rita Carrilho
Direção Técnica e Desenho de Luz – Roger Hipérbole Madureira
Sonoplastia – Sérgio Delgado
Design gráfico – Catherine Boutaud
Vídeos – Roger Madureira
Carpintaria – António Silva
Assessoria de Imprensa – Mafalda Simões
Produção Executiva – Roger Madureira
Direção de Produção – Rita Martins

de 10 FEVEREIRO A 11 MARÇO
SEX E SÁB / 21H30
no Teatro Carnide

 

 



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