“Esquecido” – “Oblivion”

“Esquecido”

Homenagem aos maiores e melhores filmes de ficção científica das últimas décadas

Após uma já ambiciosa fita de estreia com “Tron: O Legado”, Joseph Kosinski parece determinado a elevar a fasquia. “Esquecido” (“Oblivion”, título original) compõe-se como uma homenagem aos maiores (e melhores) filmes de ficção científica das últimas décadas.

Elementos e nuances de títulos como “O Homem que Veio do Futuro” (“Planet of the Apes”), “Desafio Total” (“Total Recall”), “Moon – O Outro Lado da Lua”, ou mesmo da triologia “Mad Max” encontram-se presentes nesta segunda ingressão de Kosinski pela realização. Apesar da sua ambição, a realidade é que “Esquecido” não se encontra no mesmo patamar dos clássicos acima referidos.

Apesar de se notar uma clara inspiração aos mais variados níveis (guião, referências visuais…) de filmes clássicos de ficção científica, o género não foi aqui reinventado e não se apresenta como uma história que o vá revolucionar. É porém indubitável reconhecer que se encontra uns furos acima do anterior filme do realizador, apoiado por um argumento consideravelmente superior que, assinado por Kosinski, pega nos temas e convenções mais recorrentes dos filmes do género para os baralhar e voltar a distribuir numa versão mais fresca.

O ano é o de 2077 e, após uma terrível guerra que destruiu e redefiniu por completo a superfície do planeta, a Terra encontra-se deserta, restando apenas alguns reparadores de drones que têm como principal objectivo assegurar a extracção em quantidades massivas dos recursos vitais do planeta. Jack Harper (Tom Cruise) é um dos últimos técnicos, vivendo e patrulhando os céus a centenas de metros de altura, mas sonhando e tendo memórias de um passado do qual não se deveria lembrar. Porém, a sua existência, bem como tudo o que julgava saber e conhecer, é posta à prova quando resgata uma sobrevivente de uma nave espacial destruída.

Cruise parece determinado a (re)conquistar o título de estrela de acção, e as suas mais recentes escolhas cinematográficas assim o fazem crer. Apesar de não ser nenhum novato no que a películas de acção e ficção científica dizem respeito, poder-se-ia dizer que este foi um regresso em máxima força do actor aos papéis de action-starcom – “Dia e Noite”(2010), “Missão Impossível: Operação Fantasma”(2011) e o mais recente “Jack Reacher” (2012). Apesar de ser sua a personagem condutora da história, sendo ele quem carrega o filme na sua totalidade, encontramos também no elenco Olga Kurylenko e Andrea Riseborough, cujas personagens completam o trio de protagonistas da história. É de salientar apenas a oportunidade desperdiçada de Morgan Freeman, criminalmente sub-utilizado e cuja participação se limita a um alargado Cameo.

De referir apenas o trabalho de dois colaboradores frequentes do realizador: a fantástica fotografia de Claudio Miranda (“Tron: O Legado”) que balançando uma paleta depurada de cinzas, brancos e neutros, bem como de tons ocres, verdes e azuis, consegue encontrar o equilíbrio e representar de forma coesa todos os ambientes que constituem o mundo de “Esquecido”; e o trabalho do compositor e orquestrador Joseph Trapanese, que complementa na perfeição a fotografia de Miranda.



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