“Assalto à Casa Branca”

“Assalto à Casa Branca”

Um thriller electrizante repleto de acção e volte faces na medida certa

“Die Hard” na Casa Branca. Poderia muito bem ter sido esta a frase que serviu como apresentação da ideia para este filme, numa primeira reunião com produtores e presidentes de um qualquer estúdio hollywoodesco. A verdade é que tal afirmação oferece-se como uma sinopse bastante simplificada dos 120 minutos de filme.

Mike Banning (Gerald Butler) é um ex-agente secreto que se afastou voluntariamente da sua missão de proteger o Presidente Benjamin Asher (Aaron Eckhart), após um evento traumático pelo qual se sente responsável. Porém, quando um grupo de extremistas fortemente armados e altamente treinados consegue tomar controlo da Casa Branca, Banning torna-se no último recurso para um resgate bem sucedido do Presidente.

A premissa acima descrita é incrivelmente familiar com a de outro filme com data de estreia marcada em Portugal para 5 de Setembro. E não é apenas nas respectivas sinopses que ambos os filmes se podem confundir, os próprios espectadores também, senão vejamos: “Assalto à Casa Branca” (titulo original: “Olympus Has Fallen”) estreia a 2 de Maio e é realizado por Antoine Fuqua, enquanto “Ataque à Casa Branca” (titulo original: “White House Down”) é realizado por Roland Emmerich e estreia uns meros quatro meses depois, confiram o trailer deste último aqui e tirem as vossas conclusões.

A verdade é que a realização segura e confiante de Fuqua parece conseguir elevar o que poderia ser um típico filme de série B, (bem como um argumento repleto de clichés) num thriller electrizante repleto de acção e volte faces na medida certa. O elenco reunido também ajuda a elevar a qualidade geral do produto final com um Gerald Butler totalmente credível no papel de Banning, e o apoio dos oscarizados secundários Morgan Freeman e Melissa Leo (fantástica num papel mínimo). O tom do filme parece buscar influência aos thrillers das décadas de 80 e 90, nomeadamente em fitas como o já supracitado “Assalto ao Arranha-Céus” ou mesmo “Air Force One”, tanto na temática como no tom da própria película. Aliás, esse feeling encontra-se presente em praticamente todas as cenas que decorrem no bunker e na sala de emergência do Pentágono.

Não deixa de ser interessante verificar até que ponto a ficção muitas vezes espelha a realidade. Coincidindo com a estreia do filme parecem sobrepor-se as temáticas políticas e informativas que revelam ecos no grande ecrã. Os atentados terroristas em solo norte-americano aquando da Maratona de Boston, bem como as tensões com a ameaça nuclear por parte da Coreia do Norte, são temas que, de forma algo premonitória, parecem terem sido transpostos e abordados (com as devidas diferenças) neste argumento. Talvez por isso muitos espectadores possam olhar para este filme como uma imagem algo propagandística, onde um patriotismo americano velado se encontra fixo nesta ideia de que a América não negoceia com terroristas, e enquanto nação irá sempre triunfar.

Ao longo de todo o filme sucedem-se imagens que pretendem ser poéticas, através dos múltiplos frames onde a bandeira americana se encontra presente em lugar de destaque e em imagens da destruição de alguns dos mais icónicos monumentos de Washington, e por conseguinte dos próprios E.UA.. O que não deixa de se apresentar como um paradoxo, uma vez que devido à excessiva utilização de CGI em cenas de destruição e afins não se pode deixar de sentir uma certa banalização, sacrificando o factor humano da própria história, por um espectáculo artificial onde muitas vezes os (medianos) efeitos especiais nos levam a crer que estamos perante imagens de um qualquer jogo de computador.

Estreia a 9 de Maio



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