Inauguração NÃO FECHAR, VOLTAMOS TODOS OS DIAS, de Carla Filipe

No próximo sábado, 25 de outubro, às 18:00, a Solar – Galeria de Arte Cinemática inaugura “Não Fechar, Voltamos Todos os Dias”, de Carla Filipe. A exposição reúne o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos meses, no âmbito de uma residência artística promovida pela Solar. Alvo de uma empreitada de recuperação, a decorrer desde o final de junho deste ano, o Mosteiro de Santa Clara é o mote para a nova exposição individual de Carla Filipe em Vila do Conde.

A exposição resulta de um processo de trabalho que incluiu visitas ao edifício, entrevistas a pessoas que estabeleceram uma atividade profissional ligada, em determinado momento, ao Mosteiro, bem como a recolha de material abandonado ainda existente no local, antes da sua entrada em obras.

“Não fechar, voltamos todos os dias” inscreve-se numa lógica de investigação e problematização do contexto em que o projeto é desenvolvido e apresentado, debruçando-se sobre um conjunto de narrativas históricas, políticas e sociais que dão corpo àquilo que constitui o Portugal contemporâneo.

Mais do que um projeto de arqueologia social, a Carla Filipe interessam os aspetos relacionados com o espaço físico, sensorial e psicológico que o Mosteiro de Santa Clara delimita e projeta, do alto do monte que ocupa, na cidade de Vila do Conde.

Assim, não é de estranhar que uma imagem bastante real e tangível desse espaço seja transportada do próprio Mosteiro para o espaço expositivo da Solar. Parte das estruturas que definiam os quartos dos internos foi transportada para o espaço expositivo onde se apresenta. Outros elementos, também eles recolhidos no Mosteiro antes da sua entrada em obras, encontram lugar nesta exposição.

Em exibição estará também um vídeo que documenta as visitas da artista ao Mosteiro de Santa Clara, apresentando os espaços, agora abandonados, as estruturas dos quartos coletivos, as mensagens deixadas na paredes e os grafittis, escritos pelos internos ou por ocupantes mais recentes, funcionando como testemunhos concretos que marcam, não só aquilo que foi, mas também o que hoje é o Mosteiro de Santa Clara. Uma dessas inscrições serve, precisamente, de título a esta exposição.

“Não Fechar Voltamos Todos os Dias”, resulta de uma residência artística promovida pela Solar, ao longo dos últimos meses, numa aproximação à cidade de Vila do Conde através do conhecimento dos seus espaços e da sua ocupação ao longo dos tempos. De uma procura de informação em visitas e conversas, ou marcas inscritas em objetos esquecidos, e do seu registo através da fotografia e do vídeo, a artista transporta elementos e memórias de um espaço fechado para o interior da galeria.

Carla Filipe nasceu em Aveiro em 1973 , vive e trabalha no Porto. É licenciada em Artes Plásticas – Escultura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e mestre em Práticas Artísticas Contemporâneas pela mesma instituição. Em 2009 foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian para uma residência artística nos Acme Studios, em Londres. Em 2014 foi convidada a participar numa residência no AIR Antwerpen, em colaboração com a Kunsthalle Lissabon. Começou a expor no início dos anos 2000, destacando-se as seguintes exposições individuais: “da cauda à cabeça”, Museu Berardo, Lisboa (2014), “As primas da Bulgária” (part one), Kunstverein, Milão (2012), “Um olhar periférico sobre uma cultura (Londres)”, Der Vierte Raum, Bremen (2012). Da sua participação em inúmeras exposições colectivas destacam-se nos últimos anos: “12 Contemporâneos – Estados Presentes”, Museu de Serralves, Porto (2014), “Mom, am i Barbarian?”, 13th Istanbul Biennial, Turquia (2013), “1813. Assedio, incendio y reconstrucción de Donostia”, Museo San Telmo de Donostia, San Sebastián (2013).

 

Projeto CAVE 

Exposição:

“Vd = xmax * Sd”, de Pedro Magalhães

Em simultâneo, Pedro Magalhães apresenta também na Solar, no âmbito do projeto Cave, a exposição “Vd = Xmax * Sd”, que integra uma série de vídeos realizados em concentrações de tuning em diversas partes do país.

O trabalho recente de Pedro Magalhães desenvolve-se em torno do fetichismo do automóvel e da sexualização da máquina. Muitas das imagens que apresenta fazem inevitavelmente pensar em Crash de JG Ballard (que Ballard pretendia ser um romance pornográfico), em vídeos pornográficos feitos por amadores em parques de estacionamento e descampados durante a noite e ressoam muito ao longe na representação misógina da mulher enquanto autómato que os surrealistas tanto reproduziram.

Em algumas das suas séries de trabalho anteriores vemos automóveis amaçados e mulheres semi-nuas posando ao lado de carros desportivos de cores garridas. O fetiche da mulher objecto que trata da superfície delicada do carro de corrida é uma imagem recorrente num mundo dominado por homens no qual a masculinidade é medida pela potência do carro e pelas curvas, e lábios vermelho reluzentes da mulher que vai ao lado. É essa a imagem do homem que domina a máquina que lhe serve de instrumento para cortar a paisagem, e da mulher que aparentemente cultiva uma submissão carregada de potência sexual. Mulher e máquina, ambas idealmente calibradas. Tecnicamente, e boçalmente, calibradas. Calibradas para alimentar o ego de uma masculinidade embrutecida. É esse mundo que o Pedro Magalhães nalguns momentos quase expõe ao ridículo e noutros quase eleva ao nível da imagem de ficção científica.

Esta instalação apresenta uma série de planos fixos sobre o aparato técnico que compõe o interior dos automóveis nesse mundo ultra fetishisado, fragmentos, por vezes bastante abstractos, de tablierssound-systems, bancos de couro reclinados, bagageiras equipadas com sistemas de leds e máquinas de fumo, projectores de raios lazer que refletem os seus efeitos psicadélicos em interiores de requintado kitsh de rave suburbana. O automóvel é transformado em discoteca e em lugar de histeria noturna onde se ouve uma música tecno que repercute pelos descampados da margem sul ou por parques de estacionamento esvaziados algures nos arredores de Braga; e vê-se um condutor que dança frenético em cima do tejadilho do seu Onda Civic todo equipado, ao mesmo tempo que Pedro Magalhães filma o movimento oscilante de uma peça de roupa que foi deixada em cima dos speakers do gigantesco subwoofer que ocupa todo o espaço da mala do carro.

Pedro Magalhães (Porto, 1975) centra a sua prática artística maioritariamente na fotografia. O seu trabalho recente foca diferentes aspectos da cultura popular, ou subcultura e é o resultado da investigação e trabalho de campo sobre atividades amadoras como o Car Tuning. Também tem utilizado fotografias da sua vida quotidiana para construir narrativas que exploram conceitos de memória.

 

Performance:

Ghuna X & N204Team
25.10, sábado, 19:00
Praça José Régio, Vila do Conde

Acesso gratuito

Durante a abertura da exposição, pelas 19h, decorrerá ainda a performance “Ghuna X & N204Team” no acesso à galeria Solar pela Praça José Régio, em Vila do Conde. O artista portuense Ghuna X irá apresentar uma peça sonora concebida especificamente para o dispositivo automóvel, alimentando a estética associada ao estilo tuning. O espaço exterior da galeria transformar-se-á, assim, num cenário de grande aparato sonoro com alguns veículos personalizados estacionados no local.

Ghuna X é o alter ego de Pedro Augusto, artista multidisciplinar que tem desenvolvido atividade regular nas áreas da música eletrónica (performativa), sonoplastia e produção (mistura e masterização).



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