Uma feliz catástrofe

Uma feliz catástrofe

Uma família moderna

A obra da italiana Adelia Turin levou para a literatura infantil temas nunca antes explorados: a igualdade de sexos, os estereótipos sexistas e o fim da discriminação de género. Entre 1975 e 1980, a autora criou mais de vinte títulos incluindo-os na coleção “Dalla parte delle bambine”.

Nesta “Uma Feliz Catástrofe” (Kalandraka, 2014) um assunto complexo como a inversão dos papéis familiares é transformado numa fábula, onde a família Ratão pode ser a imagem de qualquer um de nós.

A história relata a vida de uma família de ratos antes e depois de uma grande catástrofe. Antes os papéis familiares estão “perfeitamente” atribuídos: o pai trabalha fora de casa e, ao final do dia, encontra a mulher e os filhos, a casa arrumada e o jantar na mesa. Depois da catástrofe, uma grande inundação no modesto buraco onde habitam, alteram-se rotinas no fogão e nos entretenimentos à noite e são até obrigados a mudar de casa. A mãe e esposa, perante a catástrofe e a ausência do marido, é obrigada a usar de toda a valentia e salvar os filhos da água, construindo um novo lar, num novo espaço.

A coeducação e a igualdade estão retratadas numa história bem-humorada e divertida, onde as ilustrações coloridas de Nella Bosnia humanizam as personagens e retratam um cenário doméstico em tudo igual ao que conhecemos e habitamos. Os objetos do quotidiano e os apetrechos de limpeza da família Ratão são os mesmos que todos nós usamos, tal qual como o lugar de homens e mulheres na sociedade atual é um tema que todos comentamos, debatemos e contestamos.

A “pedra de toque” de todo o livro está no seu detalhe final: em que uma nova família de ratos decide instalar-se no antigo lar dos Ratão, sem adivinhar que, a qualquer momento, uma grande catástrofe em forma de inundação lhes pode mudar muito mais do que a morada…

 



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