JOANA DE VERONA

Novíssimos #1: Joana de Verona

"O Cinema é único mas o Documentário é real"

No âmbito da 10º Edição do IndieLisboa, a RDB homenageia o Festival de Cinema Independente nos próximos 10 meses. Serão 10 artigos em discurso directo, cada um deles dedicado a um realizador da secção Novíssimos do IndieLisboa e ao seu filme integrante na mesma secção.

A primeira Novíssima a participar nesta homenagem é Joana de Verona, que nesta edição apresenta o seu filme “Chantal”.

Ali é turco e tem uma loja de costura. Construiu uma manequim, o seu nome é Chantal. Todos os dias ele a aperfeiçoa. Leva-a para casa e retoca-a e diariamente a coloca de novo na montra da sua loja.

Actriz e realizadora, participou no elenco da curta-metragem premiada com o Urso de Ouro em Berlim 2012, “Rafa”, de João Salaviza. Joana disponibilizou-se para responder a três questões colocadas pela RDB.

JOANA DE VERONA

Explica-nos qual é para ti o significado e a importância do Festival de Cinema Independente – IndieLisboa

O IndieLisboa é um festival que rapidamente ganhou uma enorme importância pela programação e organização de qualidade que tem tido. No meu caso, e no de tantos outros jovens realizadores, é uma forma de poderem divulgar os seus filmes. Ali encontra-se espaço para isso e um público interessado. É também um lugar onde sei que poderei encontrar Cinema muito diversificado e rico.

Poderias mencionar ou destacar algum filme do IndieLisboa que ao longo destes dez anos te tenha marcado?

É muito complicado escolher um filme apenas. Acompanho todas as edições do Indie há sete anos e já vi vários filmes nacionais e internacionais nas mais variadas secções que me ficaram na memória e que foram importantes.

Descreve-nos um pouco o teu filme “Chantal” que se inclui, este ano, na secção Novíssimos do IndieLisboa

O meu documentário “Chantal” foi realizado no âmbito do curso de Realização de Cinema que fiz em Paris, nos Ateliers Varan, uma conceituada escola do Cinema directo fundada por Jean Rouch. Foi um processo inacreditavelmente intenso, trabalhoso e muito exigente. Também muito prazeroso a nível da descoberta, liberdade e criatividade de se pensar um filme, construí-lo e concretizá-lo.

Passei cerca de um mês e meio diariamente com o senhor que filmei; mesmo quando não rodávamos estávamos juntos. Há uma ligação muito forte entre as pessoas no acto de se fazer um filme, e creio que neste caso ainda mais, pois é um documentário sobre a vida, sobre a intimidade de alguém, sem fabricação de emoções ou textos estudados. O Cinema é único mas o Documentário é real.

Um filme sobre a solidão de um senhor turco, costureiro, que vive em Paris e a sua incapacidade de amar. Alguém que desenvolve uma estranha e obsessiva relação com uma manequim que tem na sua loja de costura. Essa manequim é a sua companheira, o seu espelho.



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