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LINCE @ MUSICBOX (19.10.2018)

Foi sozinha em palco que Lince se apresentou para nos desvendar ao vivo o seu álbum de estreia, acabadinho de lançar, ao qual tinham direito todos quantos adquiriram ingresso para o espectáculo. E foi segura e extremamente feliz que Sofia Ribeiro, nome civil da artista, atravessou toda a duração da sua prestação no Musicbox, e com diversos motivos para tal.

Não deve ser fácil apresentar de forma tão confiante uma trama sonora sempre frágil. E é apenas através do seu órgão e adjacentes sintetizadores que Lince esculpe esta teia que nunca deixa de nos acolher. O tandem teclas e sintetizadores nem sempre trabalha em conjunto, havendo composições em que entram em acção à vez, provavelmente num ensejo de transmitir o ambiente mais devido ao momento; noutras canções dão as mãos a meio, contagiados pela candura que os próprios vão erigindo; sendo que num outro lote de músicas como que se digladiam, como em «Too Late», formando desta maneira diferentes moldes sempre com a assinatura de Lince. Nesta canção, por exemplo, o piano clássico introdutório vai sendo desconstruído progressivamente pelos motivos electrónicos que vão tomando cada vez mais o pulso deste exercício musical, até implodindo numa autêntica trovoada de sentimentos (e respectiva bonança).

O momento mais envolvente, e bonito, da noite aconteceu durante «Float», um dos temas novos, que obviamente predominaram a noite de lançamento. «What do You Wanna Know» traz-nos à memória outros nomes que movimentam em águas vizinhas, como os Chromatics ou os nossos Best Youth, enquanto que «Went Missing» vale como mais um passo firme em direcção à maturidade da sonoridade deste projecto individual que contou com a mãozinha do Casota Collective na produção do disco.

Para o encore, a pedido da estrela da noite, o público aproximou-se para tornar os últimos momentos ainda mais únicos. Nessa etapa final do concerto Lince brindou-nos com «Call Me Home», uma das composições pioneiras de Lince que nos faz retornar à casa de partida, e «Tenderly», que seria desde logo um bom título para descrever esta estreia de “Hold to Gold” em palco.

Lamentavelmente, a plateia não correspondeu numericamente à expectativa que este concerto gerava e merecia. Ainda assim, as dezenas presentes mostraram-se sempre atentas. Esta Lince não está em extinção, pelo contrário, ainda agora começou a brotar.



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