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Mark Lanegan Band @ TMN ao Vivo | 31 de Março

Pintou-se o céu de vermelho de propósito para receber o ícone das cavernas

Para terminar o mês em beleza, e a antever um dia em que as trovoadas se ouviram nos céus de Lisboa, Mark Lanegan comandou (e muito bem!) a tempestade com a sua ilustre voz de trovão como é várias vezes lembrado. A sala TMN ao Vivo, em Lisboa, foi o segundo destino nacional (na noite anterior esteve no Porto, no Hard Club) para a apresentação do seu último álbum “Blues Funeral” e foram bastantes os fãs que lotaram o espaço, tornando difícil a circulação dentro do recinto.

Mark Lanegan subiu ao palco à hora marcada, 22 horas, com uma pontualidade que é pouco comum nos concertos em Portugal, e com ele trouxe os seus companheiros de estrada; um baterista, baixista, guitarrista e teclista – o necessário para unir o rock e o blues e ser intitulado de estrela. Sim, Lanegan é um ícone musical e muito se deve ao seu álbum anterior, “Bubblegum”, editado em 2004, e as colaborações que executa com os roqueiros Queens of The Stone Age. As suas músicas não são nada dadas a pastilhas, mas sim a rasgos de soturnidade e atmosferas graves provocadas pelos seus tons cerrados.

«When Your Number Isn’t Up», canção do anterior “Bubblegum”, abre o espectáculo cuja iluminação parecia vir das cavernas no inferno de um vermelho vivo a tocar nas roupas pretas dos músicos. Seguiu-se «The Gravedigger’s Song», do novo “Blues Funeral”, que colocou todo o público num semi-êxtase e que comprova que o disco tem ouvintes atentos e que caiu nas graças de todos. A partir daqui, Lanegan continuou a dominar e a recuar atrás nos tempos com as melodias de «Sleep with Me», «Hit the City», «Wedding Dress», ou «Ressurrection Song».

O semblante cavernoso que Lanegan carrega em cima de si é igualmente sinónimo da sua apresentação em palco. Homem de poucas palavras, apenas uns simples agradecimentos e posteriormente a apresentação dos seus músicos em palco. Passa de faixa em faixa como se tivesse um comando de uma aparelhagem sem perguntar nada a ninguém e explicar o que quer que seja. O público, por outro lado, cantava todo o reportório e aplaudia exaustivamente demonstrando o seu afecto pouco se importando com a postura de Lanegan, que passou o tempo agarrado ao suporte do microfone. O importante é sempre que o artista cante! E encante, como foi o caso.

Após o seu percurso pelo passado, entenda-se pela sua experiência com os Screaming Trees, eis que “Blues Funeral” surge no alinhamento com «Gray Goes Black», «Quiver Syndrome», ficando na memória como o momento mais forte da noite, «Riot in My House», o mais electrónico «Ode to Sad Disco» ou «St. Louis Elegy». Poderíamos descrever cada momento, mas só nos ocorre uma palavra – excelência. Tudo primou por uma excelência desmedida e carismática, em que público e cantor executam trocas directas de prazer apenas através de aplausos e boa música.

Antes de dar por encerrado o concerto, Lanegan cantou mais três canções num encore muito desejado – «Pendulum», «Harborview Hospital», que é o nome do estabelecimento de Seattle perto da zona habitacional onde Lanegan viveu durante 8 anos, e para finalizar, a muito festejada «Methamphetamine Blues», onde era visível a electricidade no ar.

Por tudo isto valeu a pena sobreviver à enchente, mesmo não tendo ficado para receber um autógrafo do cantor, que no final do concerto esteve de caneta em punho a assinar os bilhetes de todos aqueles que não queria perder a oportunidade de ver, ainda mais de perto, o seu ídolo.

Fotografia por Graziela Costa. Galeria fotográfica aqui.



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