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Meo Kalorama 2026 | Dia 1 (28-08-2026)

Texto por Miguel Barba e fotografia por Graziela Costa.

Anna Von Hausswolff

Ela é o centro de um cosmos só seu que hoje montou arraiais no Palco Sagres. Os teclados e a voz de Hausswolff são o centro gravítico para todos os demais instrumentos que nos guiam por momentos minimalistas que gradualmente evoluem para um monumental crescendo, ou nos envolvem numa jam que parece mas não o é. Com “ICONOCLASTS” no centro de tudo, nós somos meros seres insignificantes, maravilhados com o universo que, neste momento, se cinge a este palco. A dado momento Hausswolff abraça a guitarra, em detrimento dos teclados; é uma nova dimensão que se desdobra perante nós, mais orgânica, mas não menos vibrante ou interessante. Neste momento apercebemo-nos de que o saxofone é o elemento constante, que atrai para si o resto, ao mesmo tempo que mantém a distância. Sempre ideal.

Angine de Poitrine

A banda fenómeno. A banda curiosidade. A banda que executa com um elevado nível de dificuldade e que também vivem num universo próprio, este localizado junto ao coração. Loops que nos fintam, por vezes com ângulos quase impossíveis, sempre frenéticos, sempre pulsantes, com os batimentos no limite, quer sobre o palco, quer mais abaixo, na plateia. A guitarra baixo de Khn de Poitrine tem um alcance infinito, e, combinada com a bateria precisa de Klek de Poitrine, confere a tudo isto um batimento cardíaco que varre qualquer angina que ameace irromper. Entre canções a comunicação é feita num dialecto e gestos próprios, abraçados por inúmeros seguidores entre o público.

Melody’s Echo Chamber

Aqui entramos num registo mais etéreo. As guitarras flutuam acompanhando a voz de (inserir nome). Um psicadelismo de final de tarde, que não envergonha mas que também não enche as medidas, e que, mesmo assim, tem um pormenor, um detalhe, um arranjo que nos sacode o suficiente para manter a nossa atenção. Mas com o evoluir do concerto, a palete sonora tende a diversificar e tende a melhorar, com todos os instrumentos em palco a contribuírem para isso, todos a fazê-lo de forma coesa, ligados pela voz de Melody Prochet.

Interpol

No dia de lançamento do novo álbum, a banda é pontualíssima na entrada ao som da nova «This Mirror Weighs a Ton», com Daniel Kessler de guitarra acústica em punho, algo pouco habitual, numa canção bonita mas distinta do registo característico dos nova-iorquinos. A frenética «All the Rage Back Home» de “El pintor” segue-se, mas pretende-se que vão ainda mais para trás. Fazem a vontade; «C’mere», «Evil» e «Roland». A atmosfera cresce de imediato, com a guitarra de Daniel Kessler a brilhar em todo o seu esplendor. Depois há uma travagem a fundo para, «See Out Loud», canção do novo disco, se bem que o registo sujo mantenha a bitola alta e com Kessler a assumir a voz a par de Paul Banks. «Rest My Chemistry» é uma canção bela, de extremos e, mais uma vez, com aquela guitarra assombrosa. «Obstacle 1» eleva-nos às nuvens, antes de se escutar «Wings on Fire», também do novo disco. A recta final faz-se com «The New», com as suas inversões de marcha sucessivas, com o baixo a intrometer-se constantemente entre as guitarras. «Slow Hands» dispara em todas as direcções e fechamos a sprintar com «PDA».

Grace Jones

Com um atraso que facilmente perdoamos, mas que lhe custou tempo de concerto mais a frente, Grace Jones exibe-se portentosa, do topo dos seus 78 anos. A matriz reggae e dub surge desde logo, numa cadência lenta, mas em metamorfose constante, nas canções e nos adereços (um espectáculo por si só). Sem pudor pede um banco, mas o que lhe falta em frescura física, tem de sobra em presença e personalidade, alternando entre um registo ora cantado, ora mais spoken word. Há também espaço para momentos mais intimistas, apenas com teclas, mas isso é sol de pouca dura, porque aqui é o reggae que corre nas veias.

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Leiam aqui as reportagens do segundo e terceiro dia do festival.



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