MIL_Cultura_Politica_2026

MIL divide-se em dois momentos

Nova vertente de cultura e política arranca em Lisboa antes do festival dedicado à música

O MIL assinala a décima edição com uma nova divisão do projecto em dois momentos distintos. Entre 21 e 23 de Maio de 2026, a Casa Capitão, em Lisboa, recebe a estreia do MIL Cultura e Política, uma convenção dedicada às relações entre cultura, poder e produção de conhecimento. Depois, entre 7 e 10 de Outubro de 2026, regressa o Festival MIL, desta vez focado exclusivamente na música.

Segundo Gonçalo Riscado, cofundador e director da CTL e do MIL, a separação surgiu da dificuldade em dar visibilidade a todas as dimensões que o evento foi acumulando ao longo do tempo. À medida que o projecto cresceu, passou também a reflectir sobre temas para lá da música, o que levou a organização a autonomizar a vertente mais centrada na reflexão crítica sobre cultura, políticas culturais e o seu papel no presente.

O arranque do MIL Cultura e Política está marcado para as 11h30 de Quinta-Feira, 21 de Maio de 2026, com uma sessão sobre o papel das políticas culturais em Portugal. Ao longo dos primeiros dois dias, o programa reúne conversas, oficinas e sessões de trabalho sobre as condições materiais da criação, a construção de conhecimento, a produção de sentido e as formas de participação no espaço público.

Entre os nomes em destaque estão Geoffroy de Lagasnerie, filósofo e sociólogo francês ligado à teoria crítica e à política contemporânea, e Malcom Ferdinand, engenheiro ambiental e investigador político associado ao debate sobre o antropoceno, ecologia, história colonial e pensamento decolonial. Ferdinand apresenta o livro “Uma Ecologia Decolonial”, publicado em Portugal pela Orfeu Negro. Ainda na Quinta-Feira, o programa inclui um fórum sobre direitos culturais em Portugal com Daniel Granados, impulsionador da Declaração de Barcelona pelos Direitos Culturais, com mediação de Paulo Pires, e uma oficina conduzida por Maria Vlachou, directora executiva da Acesso Cultura, sobre análise e reescrita da linguagem no sector cultural.

Na Sexta-Feira, 22 de Maio de 2026, sobressaem três intervenções centrais. Kate Pasola analisa as transformações do jornalismo cultural no contexto das plataformas digitais e as desigualdades no acesso à publicação e à escuta pública. Alice Cappelle aborda a produção e circulação de narrativas políticas e culturais em ambientes digitais. Cynthia Cruz, poeta, crítica cultural e investigadora norte-americana, parte do ensaio “Melancolia de Classe — Um Manifesto para a Classe Trabalhadora”, editado este ano pela Zigurate, para discutir as tensões entre classe, cultura e mercado. O dia inclui também sessões sobre infra-estruturas digitais, open source, redes sociais e modelos de participação e produção colectiva. A consultoria de conteúdos desta edição foi assegurada pela Shifter.

O programa inclui ainda a exibição dos filmes “Apocalipse nos Trópicos”, de Petra Costa, na Quinta-Feira, e “Orwell: 2+2=5”, de Raoul Peck, na Sexta-Feira, sob o lema “Pressionar o Presente”. Fora do horário laboral, o evento prolonga-se com concertos, DJ sets e sessões participativas. Na Quinta-Feira actuam Soma Cultura, Sopa de Pedra e Irmão Makossa. Na Sexta-Feira sobem ao cartaz Febre 90s, Grupo Coral do Auto-Tune e Bar Aberto, além de uma roda de sample com Cigarra, Puçanga, bieu s2, Don’t Call Me Tako e Marcelo Lopes. No Sábado, 23 de Maio de 2026, o enfoque passa para a fruição cultural, com spoken word, exposições, performances, concertos, workshops e filmes, num alinhamento que inclui Lesma, Manga Cava, Jorge Rosa, Rezmorah & Mahfoud, Rádio Cacheu, Mães Solteiras e Àkila aka Puta da Silva. A maioria das actividades tem entrada livre mediante inscrição online, com excepção dos concertos de Sopa de Pedra e Febre 90s.

Podem encontrar a programação completa em www.millisboa.com.



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