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ModaLisboa Freedom #2

V!TOR, Katty Xiomara, Dino Alves e Ricardo Preto. Os destaques do segundo dia de desfiles.

Sexta-feira e segundo dia da ModaLisboa. O indício do final da semana e um programa de relevo crescente traz uma afluência que evolui no mesmo sentido. Lisboa posa para mais um dia de aprumo encantador, saciando-se de novas aparências segundo uma liberdade auto-instigadora.

Manequins, convidados e outros que mais deleitam-se pelos diferentes espaços, dispostos numa articulação claramente funcional e apelativa, entre o Pátio da Galé (sala C), os Espaços do Concelho (espaço LAB) e o banco BPI (sala B). Confrontam-se looks – cada singularidade se acentua ainda mais – numa disputa social silenciosa bastante enriquecedora, promotora de evolução e demarcação de personalidades visuais. Não faltam acessórios que quase nos abordam, penteados vanguardistas ou excentricidades inexplicáveis. Aqui a heterogeneidade resulta. Aqui parece não haver limites.

V!TOR – Life and Death

Do trabalho de Marina Abramovic à sua própria vida, Vítor Bastos concebe a sua colecção de Outono/Inverno 2013 numa celebração à vida reflectida na morte. O auto-questionamento do criador resulta numa lógica tenuemente emanada pela anterior colecção, contemplando a curva da vida nela própria, observando o seu negrume sem nunca verdadeiramente o atingir. É esse pensamento fronteiriço que se reflecte no vestir – a ideia de véu, ainda que aqui opaco, enquanto uma espécie de mecânica da sombra acompanha toda a apresentação. Surgem longas túnicas, malhas trabalhadas e silhuetas masculinas descomprometidas. Os sintéticos e os algodões encontram-se e desencontram-se, formando estilhaços ocasionais, rasgões no negro como cicatrizes no próprio olhar.

KATTY XIOMARA – Futuralma

Repensar o futuro é a proposta de Xiomara. Num mundo altamente tecnocrático, em que a virtualidade rege toda a sua dinâmica e a sustentabilidade se impõe como inevitabilidade, urge a necessidade de pensar no amanhã, num futuro cada vez mais do instantâneo e do imediatismo. Assim, esta é uma colecção em que se experimenta o futuro sem esquecer o passado como pano de fundo, num vanguardismo cauteloso mas, ainda assim, assumido. A versatilidade é sublinhada pela composição e decomposição das peças em múltiplas – é evidente a sua utilização perspicaz e, ao mesmo tempo, graciosa. Há a tal feminilidade adocicada habitual, no seio de laços elegantes, detalhes florais, drapeados, saias plissadas ou cinturas marcadas. A paleta de cores, das quase primárias às mais subtis, viaja pelos tons lima, azul noite, nude ou royal, sem deixar o preto de lado.

DINO ALVES – Sombra Brilhante

Dualidade – a visão romântica obscura ocidental da sombra ladeia-se do culto oriental, no qual há luz na própria sombra, onde se reflecte o não imediato e impensado e se libertam as pulsões pelo seu carácter enigmático e sugestivo. É uma colecção que se debate precisamente com questões ambivalentes – há todo um esfumado conceptual – através de jogos de forma, cor e transparências e estruturas que manipulam as diferentes dimensões. A inspiração oriental traz consigo padrões e prints exuberantes, acompanhando proporções híbridas (curtas e oversized na mesma silhueta) bem como uma fluidez sólida dos tecidos. Confunde-se a passagem de modelos com tons de performance que reafirmam a relevância do estudo da sombra no mundo, no pensamento, nas artes e no vestir.

RICARDO PRETO – Luz Atlântica

O segundo dia encerra em espírito de descoberta. Aqui é a vez da luz que banha a costa brilhar e atravessar-nos. Dissecando o seu espectro, sugere-se uma viagem que parte da pureza do branco e do preto até chegar aos azuis, castanhos, amarelos e verdes. A exploração traz plissados bem concebidos, belos casacos de corte assimétrico e malhas trabalhadas, com pormenores como o oversized em ombros escorridos, o contraste bem definido, os decotes marcados, os requintados apontamentos brilhantes coloridos, os jogos de texturas e as sobreposições harmoniosas. Estão aqui algumas das tendências que vão compor o próximo Outono, numa linha tanto visionária quanto inovadora, sem ignorar o wearable.

 

Fotografia de Graziela Costa. Reportagem fotográfica aqui.



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