Vitor_Graziela_Costa

V!TOR

Conversámos com Vítor Bastos, nos bastidores da 38ª edição da ModaLisboa, onde apresentou a sua colecção para o Outono/Inverno 2013, intitulada "Life & Death"

Rostos cobertos encenam uma marcha fúnebre como se caminhassem para o fim. O negro domina e alimenta a morte com malhas e lãs, num estilo casual e understated. Peles lívidas fazem sobressair o design das peças, blusas e camisolões com efeitos rasgados insinuam decadência numa colecção de extremos com um laivo de ironia presente no símbolo dos Rolling Stones.

Vítor Bastos, nascido em São Paulo em 1986, vem para Portugal em 2004 e estabelece-se no Porto, onde estuda Design de Moda no CITEX. Em 2007 apresenta o projecto “Diamond Dogs” no âmbito do concurso Jovens Criadores e lança a marca de vestuário masculino OFILHOBASTARDO.

Em 2008, faz um estágio com a criadora Lidija Kolovrat e desenvolve uma mini colecção de pólos para a Kolovrat ConceptStore. No mesmo ano, ganha o prémio de melhor colecção e melhor coordenado masculino no concurso Acrobactic, sendo convidado a integrar o projecto Workstation da 31ª edição da ModaLisboa/Estoril. Em 2009 segue-se um estágio de 4 meses na marca Bless, em Berlim, e é seleccionado para representar Portugal na Bienal Internacional Jovens Criadores com a colecção “Diamond Dogs”. Seguem-se participações como na feira TheKey, em Berlim, e a presença em 2012 na Fashion Philosophy, Poland Fashion Week, em Lodz, na Polónia. Apresenta regularmente as suas colecções na plataforma LAB da Moda Lisboa com a marca V!tor desde Outubro de 2009.

“Só se consegue fazer alguma diferença se chocarmos um pouco”

“Escolhi os temas Life and Death como uma continuação da colecção anterior. Surgiu de uma conversa que tive na edição passada da Moda Lisboa e começou-se com a possibilidade de trabalhar a celebração da vida que está muito ligada à morte e foi daí que fui desenvolvendo este trabalho que também reflecte as minhas experiências pessoais. Eu gosto muito de comunicar alguma coisa no meu trabalho, tenho opiniões muito definidas. Só se consegue fazer alguma diferença se chocarmos um pouco. A ideia inicial do desfile foi uma marcha fúnebre, levar o caixão onde as pessoas estão a sentir aquilo e tentar passar para as manequins a ideia de todo o peso da morte de alguém”, diz Vítor sobre a escolha dos temas vida e morte e sobre a sua personalidade marcada por extremos.

“Foi como uma piada no meio de um ambiente tão soturno”

“É muito forte, tem muito a ver com as marcas que a vida traz. A vida traz muito muitas marcas e cicatrizes, a maquilhagem das manequins tinha a mesma cicatriz que eu tenho no olho. O rosto coberto associei à imagem da viúva, do véu, todo aquele simbolismo. É um estilo muito casual, desportivo, muito cool que é o que pretendo transmitir. No meu trabalho é como o giz num quadro, de quando em quando vai ter de haver um risco, é aquele momento que chama à atenção e é completamente fora. Aquelas bandas que parecem que morreram pois não se fala muito nelas, e no rock and roll há muita gente a falar da morte, foi como uma piada no meio de um ambiente tão soturno”, explica o designer sobre a composição da imagem da colecção e sobre a presença do símbolo dos Rolling Stones.

Vítor, um designer com uma imagem de vocalista de banda de Rock and Roll, apresentou-nos uma colecção black com linhas simples, cool, que representam uma parte da sua personalidade e que nos leva a querer saber mais.


Fotografia de Graziela Costa



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This