Nightcrawler

Nightcrawler-Repórter na noite

Mais pão para o povo, mais carne para as feras!

Durante a época do império romano, os circos serviam para oferecer ao “povo”, um espetáculo de  violência e sangue que lhes satisfazia as emoções primárias e a sua sede pelo tétrico e o macabro.

Milénios passaram, mas os apetites viscerais das massas humanas permanecem quase que inalterados. E não existindo mais os Coliseus dedicados às mais inenarráveis carnificinas, podemos sempre ligar a televisão ou comprar um jornal, e logo teremos todos os crimes e acidentes  que necessitamos para satisfazer o nosso vicio pelo grotesco.

É dessa premissa que nasce “Nightcrawler”.

Nightcrawler é a expressão inglesa para um verme da terra (minhoca), que só surge à superfície durante a noite e que frequentemente acaba por ser usado como isco pelos pescadores.

Utiliza-se essa expressão também para definir os indivíduos que na calada da noite , vivem de expedientes, alimentando-se e servindo de alimento ao que de mais rasteiro existe na terra.

Lou Bloom (Jake Gyllenhaal) é um desses indivíduos dispostos a tudo para atingir os seus objectivos.

No inicio do filme, encontramo-lo a roubar metais para vender no mercado negro e de seguida pedir emprego ao mesmo individuo a quem acabou de vender o saque…

Assim é Lou Blooom, motivado, tortuoso, oportunista e amoral.

No caminho para casa Lou observa um acidente grave, em que a condutora do automóvel fica presa dentro do veículo em chamas.

Como um voyeur, assiste enquanto a polícia tenta salvar a condutora, mas o que lhe capta a atenção é um par de cameramen que tentam captar a cena, ignorando todo o bom -senso e os alertas da polícia.

De imediato Lou tenta perceber o negócio através de Joe Loder (Bill Paxton), que é um operador de câmara freelancer ,que vende o seu material às estações televisivas pelo melhor preço, que depois as transmitem nos programas da manhã, entre torradas e sangue.

Lou não consegue convencer Joe a contratá-lo mas o seu caminho estava escolhido…ele seria um “repórter” da noite.

O seu arranque é algo tosco, mas prometedor o suficiente para atrair a atenção da veterana e hiper-sensacionalista directora de programação, Nina (Rene Russo).

Em conjunto , eles levarão a dor e o sofrimento, às casas de todos os habitantes de Los Angeles.

É  absolutamente impossível deixar de entender este Nightcrawler, como um relato francamente  verosímil do que é hoje , uma certa comunicação social que assenta essencialmente no uso e abuso das emoções mais primárias dos seus espectadores e/ou leitores (em menos casos, ouvintes).

As audiências são tudo e para as atingir tudo é válido.

Dan Gilroy assina a realização e o argumento e pode dizer-se que se sai muito bem nesta sua primeira realização, ainda que não arrisque muito.

O argumento é forte e bem construído, escapando à tendência americana de fazer crítica moral e arranjar um final ético. Ao invés Gilroy prefere denunciar e levar o espectador a tirar as suas próprias conclusões acerca do seu papel enquanto consumidor de violência e drama. Contudo é fácil de perceber que o realizador não leva o argumento ao ponto de ser verdadeiramente subversivo e prefere manter  as coisas num plano menos ousado.

Os planos são em geral lentos e detalhistas, deixando que a expressão de Gyllenhaal seja ainda mais sinistra e perturbadora.

E por falar em Jake Gyllenhaal….que interpretação absolutamente fantástica ele saca, no papel do sociopata empreendedor Lou Bloom. Nos Estados Unidos já se fala que a sua interpretação neste filme ,está ao nível da de Robert De Niro em Táxi Driver!

Concordando ou não com esta polémica afirmação, a verdade é , que ele leva o filme às costas , brilhando a tal nível que nem nos apercebemos que existem outros actores em cena.

E isso é dizer muito…

Em súmula : Um filme com um argumento muito interessante, realizado com segurança e com uma extraordinária interpretação de Jake Gyllenhaal.

Vale muito a pena.

Sai com um Satisfaz Bastante!



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