DM

Demolição

É preciso desfazer para refazer

Nem sempre chorar é solução para a dor. Às vezes a apatia pode ser um sintoma de sofrimento e o corpo, quase que de modo inconsciente, faz-nos ir à procura de sensações que nos acordem dessa apatia em que a dor nos adormeceu.

Jake Gyllenhaal é Davis Mitchell, um homem cuja profissão é meramente algo que pertence à rotina assim como o seu casamento, ou talvez não. Há uma transparência na falta de maturidade e noção da realidade neste papel cuja expressividade de Gyllenhaal é surpreendente na forma como consegue intrigar e emocionar. É uma personagem com respostas inesperadas e absurdas por vezes, que contrasta com algumas cenas que se revelam espectáveis.

Depois de perder a mulher, Davis fica sem saber como reagir (chega a parecer que regride) até que descobre uma funcionária do serviço a clientes de uma empresa de máquinas de venda automática que ficou interessada nas suas cartas. A pergunta é: porque é que um homem que acaba de perder a esposa quer descobrir a mulher que recebe as suas reclamações? Há indícios de que possa surgir um novo romance no entanto, a única certeza é uma amizade que ajuda a estabilizar as suas emoções.

É, sem dúvida, um argumento inteligente que prende o espetador com o auxílio  da dinâmica dos planos, com uma clara distinção entre os momentos da ação e as memórias, a qualidade da imagem e da fotografia, sem esquecer a banda sonora enérgica, principlamente nos momentos “demolidores”. Isto porque há uma metáfora mal entendida num conselho do sogro, “to repair the human heart, you have to take everything apart”, que Davis leva para o lado literal e de onde nasce uma necessidade quase doentia de descontruir, desfazer e, como o nome do filme indica, demolir.

Um enredo que  prende o espetador do início ao fim pela imprevisibilidade dos acontecimentos, pelas relações que se criam, pelos resultados que se esperam e pelas surpresas que se encontram.



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