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NOS Alive! 2015 | Dia #3 (11-07-2015)

Murros no estômago

São 17h em ponto e, para variar, já estamos pelo recinto. É Sábado, o último dia.

Os That Rebellion deram início a mais uma jornada do NOS Alive! no palco Heineken. A receita era simples. Muito rock e, verdade seja dita, cumpriram perfeitamente, conseguindo até atrair muita gente e fazer levantar muito cu que teimava em ficar no chão.

Os Soldier’s Heart foram a banda fofinha do dia. Fizeram-me lembrar uma versão mais nova dos Hooverphonic (lembram-se deles?), até porque também são belgas. Uma pop sem demasiados excessos sonoros mas provocadora e muito eficaz, muito por culpa da vocalista Sylvie.

Quando vi os Sleaford Mods entrar em palco tenho de admitir que pensei que estavam a gozar com o pessoal. Um portátil, um microfone, muita cerveja (para consumo exclusivo de Andrew Fearn) e um microfone (para uso exclusivo de Jason Williamson). Depois, enquanto Williamson debita palavras de raiva, impropérios e desabafos, reflexo de uma Inglaterra plena de desafios, desigualdades sociais e capitalista, Fearn é altamente diligente e preciso na forma como carrega no play (sim, isso mesmo). Mas querem saber o melhor? Passado pouco tempo, deixamos de pensar muito nisso, e as canções começam a fluir. Resulta. Em primeiro lugar porque são honestos; honestos na forma como se apresentam em palco e honestos no discurso. Depois, as batidas frenéticas acompanhadas pelos gritos de Williamson e os abanares de cabeça de Fearn asseguram o resto. Surpresa enorme, “you f*#cing wankers””!

Dead Combo estão bem e recomendam-se. Pedro Gonçalves e Tó Trips são duas pessoas felizes em palco e isso transpira para a plateia. Se a presença de Alexandre Frazão na bateria, desde há algum tempo para cá, era uma mais-valia, o que dizer de ter também Sérgio Nascimento na percussão… As canções dos Dead Combo ganham uma nova alma, sem no entanto perderem aquela sua identidade, que torna os lisboetas únicos. Estas canções encerram em si um pouco daquilo que nós somos… rebeldes, festivos e de alma cheia, embora possa não parecer assim à primeira vista. Para o final do concerto ficou a mensagem de apoio à Grécia, com a bandeira helénica a ser projectada no palco, enquanto se ouvia Demis Roussos em versão Dead Combo.

Os Mogwai não falham. A envolvência sónica que oferecem é simplesmente avassaladora. Para além disso a qualidade de som impressionou, pela forma como era possível discernir todos os sons, todos os instrumentos, todos os apontamentos, entre tanta distorção. A voz continua a ter um papel secundário (embora nos últimos álbuns teime em surgir mais vezes) e ainda bem que assim é. É que nós, os teclados, as guitarras e a bateria entendemo-nos às mil maravilhas. Foram 60 minutos de murros no estômago impecavelmente aplicados e fechados com chave de ouro ao som de «Batcat».

Os Jesus and the Mary Chain vieram para tocar “Psychocandy” de 1985. Oportunidade para alguns matarem saudades e reviverem outros tempos, e de outros para os descobrir. E a verdade é que a banda dos irmãos Reid passou pelo palco Heineken com nota alta. Surpreendeu mesmo como, passados tantos anos, algumas destas canções conseguem manter-se ainda relevantes e actuais.

O culto em torno de Chet Faker surpreende um pouco. Tudo começou o ano passado no palco Heineken. É claramente daqueles casos em que público e artista fazem clic e, quando assim é, tudo sai perfeito. Mais incrível se torna o fenómeno porque as composições de Faker não são assim tão imediatas como acontece com outros. É uma electrónica mais minimalista e subtil mas que ao mesmo tempo não tem qualquer receio de se jogar com unhas e dentes a canções de outros espectros musicais como a «No Diggity» dos Blackstreet, de 1996.

Azaelia Banks nasceu em Nova Iorque, no Harlem, em Maio de 1991 mas queria o destino que ela não ficasse por ali. Senhora do seu nariz, com ideias próprias e um sorriso contagiante foi uma das (boas) surpresas do Alive deste ano. Festa do princípio ao fim. Dançou-se no palco e dançou-se no público ao som de canções que oscilam entre o R’n’B e o hip hop, sempre com uma vertente urbana extremamente vincada e muito, muito dançável. Eu sei que me estou a repetir mas sinto que tenho mesmo de o fazer.

No palco principal esperavam-se os manos Howard e Guy Lawrence em formato live act antes de se encerrarem as hostilidades (não, não conseguimos ir a Chromeo). Os Disclosure abriram com a conhecida «White Noise», do seu primeiro – e único até à data – álbum “Settle” para deleite dos muitos presentes. Entre um brutal jogo de luzes, temas na ponta da língua (e dos pés) e outros a serem descobertos antes do lançamento de “Caracal” em Setembro, já ninguém se lembrava da discreta passagem pelo palco Clubbing em 2013.

Ah… antes de acabar, resta apenas dizer que para o ano já há datas: 7, 8 e 9 de Julho.

Fotografia por José Eduardo Real



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