Queer Lisboa 19 estreia novo filme de Peter Greenaway

O controverso biopic sobre o visionário cineasta russo Sergei Eisenstein assinado pelo britânico Peter Greenaway, a passagem do Queer Art a Secção Competitiva e a introdução de uma vertente formativa, este ano com workshops de Marc Siegel e Gustavo Vinagre, são alguns dos destaques da programação do Queer Lisboa 19 – Festival Internacional de Cinema Queer, que hoje foram anunciados em conferência de imprensa no Hotel Florida. Foram ainda reveladas novidades da primeira edição do Queer Porto – Festival Internacional de Cinema Queer, que terá a longa-metragem brasileira Sangue Azul, de Lírio Ferreira, como filme de abertura.

Eisenstein in Guanajuato foi o título escolhido para a Sessão de Encerramento do Queer Lisboa 19, em estreia nacional. Estreada mundialmente na 65.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim, a longa-metragem tem como protagonista o cineasta russo Sergei Eisenstein (1898-1948), autor de algumas das obras mais marcantes e influentes da sétima arte do século XX, como o Couraçado Potemkin (1925) ou Ivan, O Terrível (1944, 1958). Focando-se no período fascinante, mas igualmente turbulento, que o realizador viveu no México, fase da qual resultou o filme póstumo Que Viva México (1979), Eisenstein in Guanajuato dá conta da relação que o realizador terá então mantido com o guia turístico Jorge Palomino y Cañedo.

Esta 19.ª edição do Queer Lisboa vai ainda proporcionar aos espectadores uma nova vertente formativa, com a realização de dois workshopsMarc Siegel, Professor Assistente em Estudos de Cinema na Universidade Goethe de Frankfurt, cuja investigação incide nos estudos queer e no cinema de vanguarda do pós-guerra, vai dar o workshop How Do I Look (Now)?, no qual se pretende olhar para o momento atual do cinema queer, com base em dois filmes recentes: Jaurès, de Vincent Dieutre, vencedor do prémio para Melhor Documentário do Queer Lisboa 16, e Mondial 2010, de Roy Dib, vencedor da melhor curta em 2014. Por sua vez,Gustavo Vinagre, realizador e argumentista brasileiro, vai comparar no workshop Ver ou não ver, eis a questão a sua curta-metragem Filme para poeta cego – onde a sexualidade é descrita a partir da perspetiva de um cego fetichista – e a média-metragem Nova Dubai numa tentativa de analisar o porquê das suas próprias escolhas cinematográficas.

Nova Dubai é precisamente um dos títulos que concorre na secção Queer Art, que este ano passa a ser uma secção competitiva, numa parceria com a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, patrocinadora do prémio monetário no valor de 1.000€, atribuído ao realizador do melhor filme. Outro título em destaque é o documentário francês Pauline s’arrache, de Émilie Brisavoine, um divertido e surpreendente olhar à própria família da realizadora, que foi um dos filmes sensação deste ano da Secção ACID (Associação do Cinema Independente para a sua Difusão), que decorre em paralelo durante o Festival de Cannes. Marc Siegel integra o júri desta secção, juntamente com o artista e curador Justin Jaeckle e a realizadora portuguesa Susana de Sousa Dias.

Fica aqui a programação completa da Competição Queer Art:

Batguano (Brasil, 2014, 74’), de Tavinho Teixeira
Cancelled Faces (Alemanha, Coreia do Sul, 2015, 80’), de Lior Shamriz
Me Quedo Contigo (México, 2015, 99’), de Artemio
Nova Dubai (Brasil, 2014, 53’), de Gustavo Vinagre
Pauline s’arrache (França, 2015, 88’), de Émilie Brisavoine
Sueñan los Androides (Espanha, 2014, 61’), de Ion de Sosa
Tots Els Camins de Déu (Espanha, 2014, 66’), de Gemma Ferraté
Videofilia (Y Otros Síndromes Virales) (Peru, 2015, 103’), de Juan Daniel F. Molero

Depois de uma edição zero em 2014, este ano a Associação Cultural Janela Indiscreta, organizadora do Queer Lisboa desde 1997, apresenta o Queer Porto 1 – Festival Internacional de Cinema Queer.

A decorrer de 7 a 10 de outubro, o Queer Porto 1 tem lugar no Teatro Municipal Rivoli, Maus Hábitos, Mala Voadora e Galeria Wrong Weather, propondo na sua programação diversas linguagens artísticas em articulação com o cinema. Esta primeira edição do festival conta com uma competição para Melhor Longa-Metragem de ficção ou documental, à qual concorrem 12 títulos. O prémio para Melhor Filme é atribuído pela RTP 2, pela compra dos direitos de exibição, no valor de 3.000,00€.

Sangue Azul, filme realizado por Lírio Ferreira e protagonizado por Daniel de Oliveira, foi o título escolhido para a Sessão de Abertura do Queer Porto 1. Distinguido no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro e selecionado para a 65.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde teve honras de filme de abertura da secçãoPanoramaSangue Azul é uma fábula lírica que se centra em Pedro (Daniel de Oliveira), ou “Zolah, o Homem-Bala” de um circo itinerante, que regressa à ilha de Fernando de Noronha, onde havia sido separado da sua irmã Raquel, aos 10 anos, por a sua mãe temer uma relação incestuosa entre os dois.

De l’ombre il y a, do cineasta francês Nathan Nicholovitch, e que foi exibido na edição deste ano do Festival de Cannes, integrado no programa da ACID, é também um dos vários filmes que este ano terão estreia nacional na primeira edição do Queer Porto. O documentárioRegarding Susan Sontag, sobre esta que foi uma das intelectuais mais influentes e provocadoras do século XX, é outra das novidades do festival. O filme de Nancy Kates foi premiado pelo Festival de Cinema de Tribeca.



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