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Offshore: o livro que explica como os ricos fogem ao fisco

O livro de Brooke Harrington, fruto de oito anos de investigação, é uma introdução clara e acessível ao mundo da fuga ao fisco de milionários e empresas.

Todos já ouvimos a palavra “offshore”. Poucos sabem o que ela esconde. “Offshore: A riqueza oculta e o novo colonialismo”, de Brooke Harrington, publicado pela Tinta-da-China, com tradução e prefácio de Ana Gomes, é o livro que faltava em português para perceber como os muito ricos e as grandes empresas fogem ao fisco, e porque é que isso nos diz respeito a todos.

Falar de paraísos fiscais costuma dar duas conversas: a indignação genérica de café ou o jargão de especialistas. O livro de Harrington não cai em nenhuma delas. Funciona como uma verdadeira introdução à fuga ao fisco de milionários e empresas, e explica o essencial sem exigir que o leitor tenha um curso de finanças. Quem nunca percebeu a diferença entre planear impostos e escapar-lhes, ou como é que o dinheiro consegue viver “num mundo à parte”, encontra aqui respostas claras.

O que dá peso ao livro é o método. Harrington passou oito anos a investigar. Infiltrou-se no meio, viajou pelo mundo e entrevistou dezenas de gestores financeiros de topo, as pessoas que constroem e mantêm este sistema por dentro. Não estamos perante uma tese de gabinete nem um panfleto. É o resultado de um trabalho de campo raro neste domínio, onde o segredo é a alma do negócio. Não admira que o Financial Times o tenha escolhido como Livro do Ano.

Quem é Brooke Harrington

Nascida em 1968, nos Estados Unidos, Brooke Harrington é professora de Sociologia Económica na universidade Dartmouth College. É também gestora de património certificada, o que ajuda a explicar a facilidade com que circulou num meio tão fechado, e conselheira da OCDE e do Parlamento Europeu. É autora de vários livros, entre eles o best-seller internacional “Capital Without Borders”. Esta combinação, de académica com conhecimento prático do ofício, é rara e dá ao livro uma credibilidade difícil de igualar.

Fácil de ler, difícil de ignorar

Com 184 páginas, o livro lê-se depressa. A linguagem é direta, a estrutura é clara e a autora sabe contar, o que num tema destes é meio caminho andado. Não é preciso ser economista, advogado ou gestor para o acompanhar. Basta ter curiosidade sobre o mundo em que vivemos.

E o que se descobre não é confortável. O livro mostra como o sistema corrói a democracia e os recursos do planeta, e o papel que tem nas grandes crises do nosso tempo. A fatura, lembra-nos, acabamos por pagá-la todos, em benefício do que Harrington descreve como um império secreto de muito poucos.

Num país como o nosso, onde se discute com frequência a carga fiscal de quem trabalha e de quem produz, convém perceber também quem consegue não contribuir. Este livro não nos dá todas as respostas, mas dá as perguntas certas. O prefácio de Ana Gomes, que assina também a tradução, ajuda a ancorar a discussão na nossa realidade.

A minha opinião é simples: é um livro de leitura obrigatória para quem quer participar a sério no debate sobre justiça fiscal. Chegou às livrarias a 17 de setembro, custa 15,90 euros e é, sem exagero, um dos melhores pontos de partida para entender o que realmente significa “offshore”.



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