Old Jerusalém e Alek Rein @ ZDB. 17 de Setembro

Importa, antes de mais, lembrar que os últimos anos deram a Francisco Silva alguns motivos para que silenciasse os seus caminhos folk até Old Jerusalem. Depois da canção portuguesa ter recuperado o gosto pela sua própria língua e tradição, arrastando consigo a atenção do público, as dificuldades terão também
aumentado para alguém que compõe apenas em inglês. Inevitavelmente, Old Jerusalem passou a ser um songwriter desalinhado num tempo de cantautores.

O outro percalço terá acontecido quando a Bor Land, a primeira casa de Old Jerusalem, anunciou o seu fim, depois de uma década bem entregue à missão de lançar música independente portuguesa (geralmente entusiasmante). Sobraram dessa residência três álbuns (e vários temas dispersos) tão essenciais na projecção da Bor Land como representativos das virtudes que distinguem Francisco Silva. Virtudes entre as quais podemos contar a lucidez, a naturalidade e uma extrema generosidade, na revelação gradual de uma rotina que é quase palpável no cancioneiro de Francisco Silva.

Foi este tipo de perseverança que tornou possível a existência Old Jerusalem, o novo e homónimo labour of love de Francisco Silva, que é também um dos seus discos mais marcados pelo sonho e pela subtileza. A apresentação do álbum faz-se na noite de 17 de Setembro, na ZDB. Fica assim assegurado o regresso de uma figura de um certo culto. Esse que lhe é totalmente merecido não só pela quantidade de versos citáveis acumulados (The Temple Bell tem muitos) como pelo lugar afectivo que ocupou, nas nossas vidas, desde que April foi lançado. Tal como no título do lendário disco ao vivo de Van Morrison, It’s too late to stop
now. Old Jerusalem sabe disso.

Alek Rein, alter-ego de Alexandre Rendeiro, surpreendeu-nos com “Gemini”, EP de inspiradíssimo psicadelismo. É o primeiro registo de um videasta, músico e artista plástico de 21 anos. E é prenúncio de algo em grande. EP de cinco canções, cinco canções de inspiradíssimo psicadelismo folk, ora em movimento encantatório eléctrico – opiáceo, ora eufórico – telúrico (erguem-se timbalões e guitarras acústicas), que nos caiu em cima. Alexandre Rendeiro é Alek Rein. Imaginou-o como projecto artístico, misto de heterónimo à Fernando Pessoa (com Syd Barrett no horizonte) e de alter-ego à Ziggy Stardust (sem fatiota glam). Um músico que Rendeiro lançasse ao mundo para o ver construir-se, canção após canção, concerto a concerto.
“Gemini” é, arriscamos dizer, o nascimento de algo em grande”



Também poderás gostar


There are no comments

Add yours

Pin It on Pinterest

Share This