Ornatos Violeta @ Coliseu dos Recreios (25.10.2012)

Ornatos Violeta @ Coliseu dos Recreios (25.10.2012)

Se é para voltar tem que ser a sério

Não é fácil explicar o porquê desta música ter tocado a tanta gente. Mais importante que explicar este porquê, importa referir que o regresso dos Ornatos Violeta acontece devido à insistência constante dos fãs. É impressionante verificar que a figura franzina de Manel Cruz influenciou tanta gente, toda uma geração. A mesma geração que esgotou o Coliseu num instante e obrigou à marcação de mais duas em Lisboa e três no Porto. Os números impressionavam logo à partida, mas o concerto superou todas as expectativas. Foi um concerto diferente do de Paredes de Coura e marcado por vários momentos.

Na primeira parte do concerto, antes dos três(!) encores, a banda intercala canções do primeiro e segundo discos e alguns temas sacados do baú, mas que faz todo o sentido que sejam celebrados ao vivo. Depois de algumas poucas canções (por esta altura já «Tanque», «Dama do Sinal», «Pára de Olhar Para Mim» e «Um Crime à Minha Porta» tinham sido despachadas com grande pinta), Cruz tira a camisola e atira o seu já típico “tá tudo?”. Seguem-se «Mata-me Outra Vez» e «Dia Mau» e um “amo-te” vindo da plateia – “Também” te amo, responde a voz dos Ornatos. Esta louvável proximidade e troca de emoções entre banda e público manteve-se ao longo do espectáculo, o que contribuiu para o tornar ainda mais forte.

“Esta é uma canção da altura em que íamos ali para a Nazaré”. É uma canção dos primórdios, “de noventa e dez”, atira um bem-humorado Nuno Prata. Não interessa, é tocada com a mesma intensidade e entrega que todas as outras. Depois de mais duas canções que não constam em nenhum dos dois discos dos Ornatos, é a vez de «Chaga» que, a par de «Ouvi Dizer» e «O.M.E.N.», reúne a melhor reacção da noite. Tempo, depois, para uma canção de Ricardo Almeida, o primeiro vocalista da banda do Porto. Chama-se «Sacrificar». “Um abraço ao Ricardo”.

Depois de «Bigamia» e «1 Beijo = 1000», mais um momento para mais tarde recordar – principalmente para o grande protagonista do mesmo. Um fã, um desconhecido fã de Ornatos Violeta é convidado a subir a palco para tocar «Deixa Morrer». Sim, é verdade que já vimos várias acções deste género, mas o que torna esta especial é a sua espontaneidade. Esta não estava planeada. Esta aconteceu porque o miúdo se lembrou que queria tocar a canção com a banda e a mesma achou que sim, fazia sentido.

«Ouvi Dizer», o êxito que há tempos foi ressuscitado pelo tipo dos Ídolos, é, como esperado, cantado a uma só voz. «Capitão Romance» fecha a primeira parte do concerto.

Esperava-se um encore, no máximo dois. Tivemos direito a três, longos. O primeiro arranca com «O.M.E.M.» e é ver o público aos saltos e Manel Cruz de cócoras a gritar “Dá-me a tua mão!”. Parece um novo começo, tal é a força da interpretação. Segue-se uma sequência infernal, «Punk Moda Funk», «O Amor é Isto» e «Homens de Princípios», mais um inédito, e «Tempo de Nascer». O segundo encore dá-nos um regresso de Manel Cruz, sozinho, para a interpretação de «Raquel» e «Marta». Os restantes membros juntam-se progressivamente à banda até «Como Afundar», que já conta com todos os elementos em cima do palco, outra vez. Tempo para o último encore que termina com «Pára-me Agora», a canção inédita incluída em “Inéditos / Raridades” de 2011, faz descer o pano.

Contas feitas, mais de duas horas e meia de celebração, um concerto fantástico, um reencontro perfeito. Os espectáculos estão a ser filmados, contem com o DVD de uma das noites ou mesmo de todas.

Fotografia por Manuel Casanova.



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