Panorama 2012 na Cinemateca Portuguesa | Sessões musicadas por Filipe Raposo | 16, 17 e 18 de Abril

Numa parceria inédita, Panorama 2012, 6ª Mostra do Documentário Português, chega este ano à Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema para apresentar, no âmbito dos Percursos no Documentário Português, as imagens que marcaram o início do cinema em Portugal.

Explorando as várias correntes artísticas, tendências e práticas fílmicas presentes em Portugal desde o início do século XX até meados dos anos 30, o Panorama 2012 apresenta um conjunto de filmes e realizadores marcantes deste período.

As 6 sessões que têm lugar na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema serão musicadas ao vivo por Filipe Raposo (compositor e pianista). O Panorama 2012 regressa no dia 19 ao Cinema São Jorge.

PROGRAMA

Segunda, 16 de Abril
19h – Sala Dr. Félix Ribeiro

Sessão: Pioneiros e caçadores de Imagens

Os primeiros filmes portugueses seguiram a tendência internacional de “registo” do mundo contemporâneo. Homens como Aurélio da Paz dos Reis, Manuel Maria da Costa Veiga ou Júlio Worm, correram o país atrás dos principais acontecimentos públicos, cerimónias religiosas e oficiais, visitas de chefes de estado, festas e romarias, acidentes, revoltas políticas e paradas militares, corsos e desfiles cívicos. Os filmes destes “caçadores de imagens” constituem, por isso, um precioso “arquivo visual” do país entre o final do século XIX e o início do século XX.

22h – Sala Luís Pina

Sessão: O país revelado pelo cinema

No final da década de 1910, o desenvolvimento do mercado cinematográfico levou à multiplicação de produtoras de cinema como a Invicta Film ou a Caldevilla Film. Estas produtoras investiram sobretudo no cinema de ficção, mas também em curtas e médias-metragens documentais sobre aquilo a que chamaríamos hoje património natural e arquitectónico.

Estes filmes promoviam também o turismo interno e, muitas vezes, usavam como fio condutor o percurso de um grupo excursionista (é o caso dos dois primeiros filmes desta sessão). A descoberta do país através do cinema também se fez, menos vezes, através de um olhar propriamente etnográfico. J. R. dos Santos Júnior teve um papel pioneiro na utilização do cinema como meio auxiliar do seu trabalho de campo. DANÇA DOS PRETOS é, muito provavelmente, o primeiro filme etnográfico português. NORTE DE PORTUGAL é um conjunto de imagens em bruto que combinam registos etnográficos com sequências de outros géneros (da actualidade ao filme de família) a que, tanto quanto se sabe, o autor nunca deu uma montagem definitiva.

Terça, 17 de Abril
19h – Sala Dr. Félix Ribeiro

Sessão: As missões cinematográficas às colónias

Entre 1929 e 1931, a Agência Geral das Colónias e os governadores das colónias portuguesas em África encomendaram a produção de vários filmes destinados a serem mostrados na “metrópole” e em várias exposições internacionais. Para o efeito, foram contratadas pequenas equipas de cinema, pomposamente batizadas como “missões cinematográficas”.

A primeira, dos Serviços Cinematográficos do Exército, foi liderada por Augusto Seara e visitou São Tomé e Príncipe e a Guiné. Os filmes ali rodados foram mostrados nas exposições internacionais de Sevilha, Anvers e Paris. Uma segunda equipa, constituída por António Antunes da Mata e César de Sá, rodou em Angola. Uma terceira equipa, liderada por Fernandes Thomaz, visitou Moçambique (com uma paragem em São Tomé e Príncipe, onde aceitou fazer um filme de encomenda para o proprietários de plantações de cacau).

O filme rodado em Moçambique seria premiado na Exposição Colonial de Paris em 1931. A maior parte destes filmes foi depois retalhada em curtas-metragens que sofreram várias remontagens ao longo do tempo.

22h – Sala Luís Pina

Sessão: Artur Costa de Macedo

Destaque para um dos operadores e realizadores mais importantes do cinema mudo português. Artur Costa de Macedo (1894-1966) foi iniciado no cinema por Manuel Maria da Costa Veiga, tendo trabalhado com ele na Lusitânia Filme, onde Leitão de Barros realizou os seus primeiros filmes em 1918.

Macedo assinou depois a fotografia de vários documentários e ficções da Invicta Film, entre os quais a travessia aérea do Atlântico Sul de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, ou OS LOBOS (Rino Lupo, 1923). Estabeleceu-se depois por conta própria e foi correspondente de vários jornais de atualidade estrangeiros. Trabalhou novamente com Leitão de Barros na fotografia de Nazaré, Praia de Pescadores e Zona de Turismo (1929) e Lisboa, Crónica Anedótica (1930).

Viveu e trabalhou no Brasil entre 1941 e 1947. Deixou inédito um livro intitulado Técnica Fotografia e Cinegráfica. Foi pai dos fotógrafos João e Artur Bourdain de Macedo, que também trabalharam em cinema.

Quarta, 18 de Abril
19h – Sala Dr. Félix Ribeiro

Sessão: Depois de Lisboa, Crónica Anedóctica e Douro, Faina Fluvial

A estreia de LISBOA, CRÓNICA ANEDÓTICA (Leitão de Barros, 1930) e da apresentação de DOURO, FAINA FLUVIAL (Manoel de Oliveira, 1931) no V Congresso Internacional da Crítica em Lisboa aconteceram pouco depois de o uso do termo “documentário” se tornar corrente em Portugal. A história do documentário português começa de certo modo sob a influência destes dois filmes, mas também de vários outros filmes estrangeiros de vocação pedagógica e cultural. Os filmes desta sessão dão conta do fértil cruzamento de tendências que alimentou a autonomização do documentário em Portugal, no início dos anos trinta.

19h40 – Debate Percursos no Documentário Português

A IMAGEM MUDA – Pioneiros, Caçadores e Vanguardistas com João G. Rapazote, Fernando Carrilho, Tiago Baptista e José Manuel Costa.

22h – Sala Dr. Félix Ribeiro

Sessão: Manuel Luís Vieira

Juntamente com Artur Costa de Macedo, Manuel Luís Vieira (1885-1952) foi um dos mais importantes operadores e realizadores do cinema mudo português, embora, tal como Macedo, a atividade de Vieira se tenha estendido também pelas décadas seguintes à introdução do sonoro. Realizou vários documentários e longas metragens de ficção na Madeira, de onde era natural. Instalou-se no continente em 1928, onde iniciou uma longa carreira como chefe de laboratório, operador de imagem e diretor de fotografia. Esteve ligado a obras fundamentais do cinema mudo português como A DANÇA DOS PAROXISMOS (Jorge Brum do Canto, 1929), LISBOA, CRÓNICA ANEDÓTICA (Leitão de Barros, 1930; onde trabalhou lado a lado com Costa de Macedo) e MARIA DO MAR (Leitão de Barros, 1930).

Panorama – Mostra do Documentário Português é uma iniciativa da Apordoc – Associação pelo Documentário e a Videoteca Municipal de Lisboa, e conta com a co-produção do Cinema São Jorge e da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e a parceria estratégica da EGEAC.



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