Paraguaii

Paraguaii @ Casa Independente (30.03.17)

Era sexta-feira à noite (e como tantas outras) a sala do primeiro piso do casa Independente recebe mais um concerto. Os Paraguaii apresentam-se no Intendente, não como mais um movimento representativo da república da América do Sul associado ao multi-culturalismo daquela zona Lisboeta, mas sim como a banda de Guimarães que acaba de editar “Dream About The Things You Never Do”. O novo registo da banda promete-se mais pop e dançável que o anterior “Scope”, orientado à viagem espacial com paragens numa tribo Guarani e em 2 ou 3 planetas governados pela guitarra do Van Halen (este referenciado no mais recente álbum).

Pelas 22:30 a temperatura amena que se fazia sentir no terraço (primeiras noites de Primavera) torna lento o verter de pessoas para a sala ao lado, mas meia-hora após o previsto (e talvez um autocarro dos White Angels também), o ambiente considera-se composto para começar o concerto. E é sem grandes surpresas que o mote inicial é dado por um som de «Windows», tiro de partida para a música que dá nome ao novo album.

O concerto divide-se entre o novo álbum e o anterior, com uma passagem pelo primeiro EP para grande delírio da massa associativa vimaranense («She» é um hit). Houve espaço para músicas de fazer inveja aos A Flock of Seagulls («Ancient Gurl» ou «She was a Boy»)  e o bater o pé no chão foi recorrente. Com este registo, a viagem especial dos Paraguaii desvia-se do caminho inicial, não se sabe por esquizofrenia sonora ou se por vontade própria, e ao vivo as oscilações entre o synth pop e o space rock são ainda como passar por um buraco negro (que por vezes aleija). Pedia-se um som mais limpo na sala, o ruído que se fez ouvir (e sentir) foi como uma chuva de asteróides indesejável.

No desenrolar do concerto, o nervosismo em palco que a própria banda acaba por admitir, é facilmente confundido com a concentração de quem não quer falhar (principalmente no 1º concerto de apresentação do álbum). As intervenções do guitarrista tornam-se cada vez mais frequentes e demonstram o clássico à vontade das gentes do Norte (e que bem sabe ouvir sotaque destes na capital).

«Straight or Gay» fecha o concerto e em palco aparece-nos o 4º Paraguense (numa espécie de 5º Beatle), mais extrovertido que os restantes elementos, num fato de folhos e numa tanga de fazer inveja ao guitarrista. Foi um apoteótico final, uma supresa para toda a audiência e possivelmente para a banda.

É sexta-feira à noite (e possivelmente, como tantas outras), a banda entra em modo DJ e fecha a pista, vestindo a pele de “Los Sharks”.



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