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Raw Food

“Num mundo de alimentos processados, sem vida e sem nutrientes, estamos a morrer de doenças”. Conheçam uma forma alternativa de encarar a alimentação.

Nos últimos anos temos assistido a uma proliferação de variados tipos de cozinha. Para além do fenómeno gosto muito de peixe cru porque é cool, que originou a massificação de restaurante ditos “japoneses”, existem nas grandes cidades muitas opções para experimentar sabores provenientes dos quatro cantos do mundo. Para além dos restaurantes, tem-se assistido a uma alteração de hábitos na sociedade e a uma maior divulgação de alternativas à alimentação que alguns consideram “normal” com base na tradição portuguesa. O Crudivorismo é uma das alternativas que tem conquistado cada vez mais “adeptos” e que consiste em comer os alimentos crus.

Este conceito tem cerca de 2500 anos e surgiu com Hipócrates, que acreditava que a alimentação é a nossa medicina. Tem como base a utilização dos elementos crus – “com vida” – onde a proteína animal é substituída pela vegetal. Esta “cultura” tem sido tema de diversos workshops e pode ser encontrada em alguns mercados, festivais e feiras mais alternativas. Trocámos algumas impressões com Matilde Salema, entusiasta, divulgadora do conceito mas sobretudo uma “cidadã do mundo” que acredita ser possível “viver num mundo melhor, com melhor qualidade de vida”.

Como surgiu este interesse?

Quando saí de um encontro onde fizemos jejum e meditação durante quatro dias fui directa para casa de uns amigos que praticavam este tipo de alimentação. Quando me apercebi que continuava com a mesma qualidade de energia que adquiri após a saída do jejum fiquei tão entusiasmada que comecei a pesquisar e a experimentar receitas novas. Foi fantástico.

Nesta altura estava a recuperar de uma operação ao joelho por rotura total de ligamentos e apercebi-me que trigo germinado e espremido em sumo possibilitou-me uma recuperação fabulosa. A constituição molecular da erva de trigo e do nosso sangue é quase idêntica. Quando a bebemos em sumo absorvemos de imediato os nutrientes que estão no seu expoente máximo. É como fazer uma transfusão de sangue puro cheio de oxigénio…

Quando se fala de “Raw Food”, fala-se de que tipo de comida?

Fala-se de alimentos que têm vida e nos nutrem. Exemplos: vegetais, legumes, fruta, frutos secos, sementes, germinados de sementes e cereais, algas, fermentados.

Existem alimentos que não se devem comer crus. Certo?

Sim, alguns vegetais como feijão verde que, não o comendo cru, se pode escaldar mantendo uma textura crunchy e com cor.

Os cereais como arroz integral têm que se cozinhar. Já o trigo integral, a cevada integral e o trigo sarraceno podem-se germinar.

Mas o que essencialmente não se deve comer são alimentos processados desprovidos de vida e nutrientes que nos enfraquecem.

Esta alimentação é confeccionada e pode ser super gourmet.

Seja por sumos de fruta com folhas verdes com teor de clorofila fantástica, seja por batidos, seja pelos dedos da mão que esfregam os alimentos e que os suavizam, seja passado por redes que conforme a abertura da malha os adoçam e são conhecidas como as panelas desta alimentação, seja por os deixar a marinar num molho temperado ao nosso gosto, seja através de um desidratador, seja por passar ao de leve na frigideira até a nossa mão aguentar a temperatura… o que é importante é que se mantenham as enzimas de que tanto precisamos para a nossa digestão, processo que nos pede muita energia e que não é suficiente quando comemos comida muito cozinhada.

Podemos também usar os super alimentos que são todos aqueles que têm uma quantidade superior de nutrientes concentrados no seu fruto em relação aos outros. Por exemplo o camu, um fruto que tem seis vezes mais Vitamina C que a laranja. O cacau cru é uma óptima fonte de magnésio entre outras e dá-nos a possibilidade de confeccionar e saborear doces sem aditivos maléficos que fazem parte dos chocolates comercializados.

Qual tem sido a receptividade das pessoas?

A receptividade das pessoas tem sido boa pois esta alimentação é divertida de se confeccionar, simples e cheia de nutrientes, o que nos dá uma sensação de bem-estar.

Os meus filhos, teenagers, passaram a gostar de me ajudar na cozinha porque não tinham que esperar que o lume as cozinhasse, era imediata e também porque é super criativa. Não lhes impingi nada. Foram eles que começaram a ficar entusiasmados. No entanto, comemos também alimentos cozinhados, mas começando primeiro pelos crus.

Pode ser introduzida aos poucos e conforme a nossa constituição, cada um deve sentir a percentagem a que se adapta melhor.

Hoje em dia fala-se da relação directa da alimentação/comportamento. Quando ingerimos alimentos no seu estado de qualidade isso afecta os nossos pensamentos melhorando a nossa auto-estima e libertando-nos de ansiedades e depressões.

Achas que com a proliferação dos restaurantes japoneses as pessoas já pensam de uma forma diferente quando se fala de comida crua?

Acho que apesar de se comer peixe e alguns vegetais crus na cultura japonesa não é o mesmo conceito do que este tipo de alimentação. Não é utilizada a proteína animal mas sim a vegetal. As sementes potencializam os seus nutrientes de 2.000 a 6.000 mil vezes mais quando são germinados. E a sua proteína já vem organizada em aminoácidos preparada para ser logo absorvida, enquanto que a animal ainda tem que ser organizada exigindo por isso mais esforço.

Fala-nos um pouco sobre a vertente terapêutica desta prática.

Esta alimentação cria um equilíbrio no nosso ph que contribui para a nossa boa saúde, logo eficiente para a prevenção de doenças. Já Pasteur dizia no final da sua vida que o mais importante é o terreno onde as bactérias se alojam e não as ditas bactérias.

Existem institutos que através desta alimentação curam doenças terminais como o cancro e doenças como as diabetes. Quando queremos desintoxicar o nosso corpo e ficamos um dia a sumos, ajuda-nos a ultrapassar padrões repetitivos e a mudar os nossos paradigmas. Fortificamos o nosso sistema imunitário. Obtemos mais foco para os nossos ideais. Expandimos a vitalidade das nossas células.

É possível e aconselhável que a alimentação diária seja exclusivamente “Raw Food”?

Depende de cada um. Nesta alimentação ganhamos uma percepção do nosso corpo mais apurada… ouvimo-lo… o que nos dá a possibilidade de escolher o melhor para nós.

Achas que este conceito pode ser moda e cool ao ponto de surgirem restaurantes especializados?

Lá fora já é super cool e super moda. Existem bastantes restaurantes com muito sucesso. E.U.A., Holanda, Inglaterra..



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