Saraband

O último filme de Ingmar Bergman estreia dia 13 de Janeiro em Lisboa.

Embora o realizador sueco tenha, desde 1982, quando realizou Fanny e Alexander, anunciado a sua vontade de parar de filmar, Bergman nunca teve coragem para o fazer e continuou a surpreender o mundo cinematográfico com as suas obras. Com Saraband, o realizador coloca definitivamente um ponto final na sua carreira. Ou talvez não.

Com 85 anos de idade, o realizador sueco é um dos mais reconhecidos e amados realizadores europeus de todos os tempos. Com uma obra invejável e mais de 60 anos dedicados ao cinema, o realizador sueco é uma das figuras do cinema do século XX e continua a dar cartas no início deste novo século.

Saraband, exibido recentemente no festival de Nova Iorque, é uma espécie de continuação de “Cenas de um Casamento”, de 1974, em que as mesmas personagens voltam a encontrar-se. Trinta anos depois, o realizador sueco traz de volta ao grande ecrã a história de Marianne (Liv Ulmann, uma das actrizes preferidas de Bergman) e Johan (Erland Josephson), que depois de trinta anos separados voltam a juntar-se e a viver uma história bergmaniana.

Em dez capítulos e com um prólogo e um epílogo resumidos, Saraband, que à primeira vista pode parecer uma novela, termina por ser uma profunda análise dos relacionamentos interpessoais: o amor, o ódio, a morte, o dificil relacionamento com os pais e filhos, tão caracteristicos da filmografia do realizador nórdico.

O filme que foi retirado da programação do último festival de Veneza pelo próprio Bergman, vai estrear em Lisboa através da Atalanta Filmes nos cinemas Alvaláxia e tem obviamente todo o apoio da Rua de Baixo.

Actualmente a residir nas ilhas Faroé, na costa oeste da Suécia, o realizador vive uma “velhice” solitária, mas que tem sido uma excelente fonte de inspiração para os seus mais recentes filmes. Agora, parece que o cinema deixou de ser o seu principal motivo de interesse e recentemente doou para o Instituto Sueco do Filme todo o seu material audiovisual: roteiros, notas, fotografias e centenas de documentos guardados, colocando assim um ponto final à sua carreira.

Esperemos que se arrependa mais uma vez. O cinema agradece.



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