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Soul Kitchen

Fatih Akin surpreende com crítica política ao capitalismo especulativo e à sociedade alemã em formato comédia

“Soul Kitchen”, último filme de Fatih Akin, realizador alemão de descendência turca e crítico em termos políticos, foca como habitualmente a vida dos descendentes de imigrantes e suas dificuldades de integração na sociedade alemã. Mas, em vez do niilismo dos seus filmes anteriores (“Contra a Parede” e “Do Outro Lado”), “Soul Kitchen” é uma comédia sobre Zinos Kazantsakis (Adam Bousdoukos), um imigrante grego a viver em Hamburgo que tem a pouca sorte de sofrer uma grave lesão da coluna devido a um pequeno incidente que não pode tratar por não ter seguro de saúde nem parentes ricos, ter uma namorada que o troca depois de se mudar para Xangai, um antigo amigo que exige tornar-se Chefe gourmet do seu humilde mas popular restaurante (Soul Kitchen), reformulando o cardápio e por consequência tudo o resto e um irmão ladrão viciado em jogo. A combinação destes infortúnios culmina na perda do seu restaurante mas Zinos não desiste e depois de tudo correr mal, as soluções surgem de maneira inesperada, quase mágica e ele acaba por conseguir recuperá-lo.

Superficialmente esta parece uma história banal mas é nas entrelinhas que encontramos o verdadeiro Fatih Akin.

Na verdade, ele critica neste formato leve e divertido o capitalismo especulativo que ocorre um pouco por todo o mundo sobre pequenos espaços, onde a alma (soul) acaba por ser substituída por enormes empreendimentos frios, por haver de repente uma sobrevalorização desses espaços, sem que existam limites éticos e políticos para essa especulação.

O filme mostra também o preconceito, desprezo e a negação com que a tradicional e velha sociedade alemã trata os seus imigrantes, tentando limitar até onde eles podem chegar no seu País. A aceitação vem apenas dos jovens, dos artistas, dos intelectuais, uma geração com uma mentalidade mais aberta e saudável mas sem dinheiro e, logo, sem poder para alterar o habitual cenário de discriminação.

Um bom argumento com final feliz escrito pelo próprio realizador e pelo protagonista, que acaba por abordar temas fortes de uma forma divertida e inteligente que requer uma dose extra de atenção para reparar e compreender a mensagem escrita nos pormenores.

A música é também muito bem utilizada pelo realizador e a fotografia de Rainer Klausmann utiliza o maior número possível de luz natural o que confere uma grande identificação com a realidade aos cenários.

Para quem conhece o realizador pode portanto esperar de “Soul Kitchen” um filme um pouco diferente, mais ritmado, mais engraçado e menos contundente nas suas questões mas ainda assim fiel ao seu público e com certeza capaz de conquistar novos fãs.

Em exibição no cinema King, em Lisboa, a partir do dia 22 de Abril.



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