UNIVERSAL – ANA MANSO

No próximo sábado, 15 de Janeiro, a MARZ – Galeria apresenta UNIVERSAL, a primeira exposição individual de Ana Manso. A exposição estará patente até o dia 13 de Março de 2011. Recorrendo à pintura sobre tela, papel e parede (a última executada, necessariamente, in situ), a presente exposição reflecte o diálogo que a artista estabelece com o medium da pintura, bem como a avaliação e distância crítica que procura manter com a sua obra, a partir do momento em que começa a espalhar óleo ou a aplicar spray sobre a superfície escolhida, até o momento em que monta o trabalho no espaço, espacializando-o, criando com ele uma envolvência para o espectador. Tendo apresentado e iniciado a sua produção no âmbito da iniciativa ‘O Declive’, tratando-se de uma individual, esta exposição apresenta a amplitude da sua ainda jovem produção e o modo como procura articular os seus diversos suportes, que englobam o papel impresso com imagens encontradas, de natureza mítica, que sofreram um processo de redimensionamento e pintura, telas de dimensões médias, e por fim, as paredes do próprio espaço expositivo.

Estes suportes são estruturados de forma a tecer uma narrativa, uma cadeia ou tecido de ideias associadas. No caso da exposição, a artista estrutura e dá corpo a um texto visual provisório, utilizando determinados sinais gráficos, neste caso, o til, que em português serve para indicar a nasalidade da vogal, bem como uma espécie de ponto final fragmentado. Inseridos no espaço, a artista liga e modula os diversos trabalhos através desta quase construção frásica. Quando observados, estes sinais, juntamente com o alinhamento das peças, anunciam momentos de silêncio e de calma, outros de grande expressividade, ou até mesmo de exultação. Estes instantes – de tensão, percepção, colisão ou fluxo, de intersecção e de cruzamento – gerados por operações de contraste, oposição e equilíbrio, à imagemdo movimento sereno das marés ou então, e por contraste, o impacto das vagas que por vezes se faz sentir, imprimem valores de unidade, harmonia, domínio, conflito, repetição e variação à leitura.

Embora o trabalho de Ana Manso provenha da cor, a sua pintura é um regresso ao primado do nocturno. Quando observado, o manto negro que cobre a cor dificulta a visualização, inibindo a fácil descrição ou designação de cada trabalho. As texturas inconstantes do medium, aliado a cores mutáveis, que alteram subtilmente com a qualidade de luz existente, encontram-se imersas numa escuridão que se antecipa e que regride, numa espécie de vai e vem. Primeiro plano e fundo confundem-se, agitam-se. Não figurativa, indefinida, atmosférica, não hard edge, o processo da pintura em si, a artificialidade da pintura como puro gesto e cor, é adoptada pela artista para produzir e apresentar imagens onde a forma, a reverberação e o sentido emergem da superfície pintada. Extraídas das zonas mais remotas do consciente, a figura que surge deste lugar – o abismo ou eclipse – é um símbolo de enorme valia universal. ND

A exposição estará patente entre os dias 16 de Janeiro e 13 de Março de 2011

Aberto de Quarta a Sábado das 12h às 20h e Domingo das 14h às 20h

MARZ Galeria

Rua Reinaldo Ferreira 20-A, 1700-323 Lisboa



Também poderás gostar


There are no comments

Add yours

Pin It on Pinterest

Share This