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Sigur Rós @ Sagres Campo Pequeno (17-09-2026)

A história dos Sigur Rós começou em 1994, em Reykjavík e desde então que nos oferecem um som único e atmosférico, onde o post-rock se mescla com sons ambientes e elementos clássicos que nesta ocasião têm um peso maior, secundado pelo Coro Ricercare e a Orquestra Sinfonietta de Lisboa.

Fundado em 1996 e dirigido pelo maestro Pedro Teixeira desde 2001, o Coro Ricercare afirmou-se como um dos principais agrupamentos corais portugueses, conciliando a interpretação do repertório clássico com uma forte aposta na música coral contemporânea e na criação nacional, tendo promovido e estreado dezenas de obras de jovens compositores portugueses. A seu lado, a Orquestra Sinfonietta de Lisboa, fundada em 1995 e dirigida pelo maestro Vasco Pearce de Azevedo, desenvolve uma atividade marcada pela diversidade de repertório, atravessando diferentes períodos da história da música e mantendo igualmente uma forte ligação à música portuguesa contemporânea. Integrados na Associação Musical Ricercare, os dois agrupamentos partilham assim uma identidade assente na valorização do património musical e, simultaneamente, na divulgação e criação de novo repertório, cruzando tradição e contemporaneidade em diferentes contextos de apresentação.

Os lugares são todos sentados e todas as atenções se vão direcionando para o palco que dentro de alguns minutos vai estar repleto, entre banda, elementos da orquestra e do coro. No sistema de som ouve-se um som grave, pesado, denso e circular, colocado propositadamente para criar expectativa e até alguma ansiedade. As especificidades que rodeiam o concerto deixam pouco espaço para improviso, pelo que sabemos logo à partida com que canções contar. A expectativa reside, sim, na execução. Com o aproximar da hora, os elementos da orquestra começam a juntar-se para entrar de ambos os lados do palco. Chega o momento em que tomam os seus lugares e vão aquecendo, e logo aí começa a surgir aquele arrepio na espinha.

Começamos com o sussurro alternado entre as cordas e a voz de Jonsi, «Blóðberg». «Ekki múkk» introduz os metais, enquanto Jonsi usa o arco do violoncelo na sua guitarra. Sublime. O detalhe que a orquestra adiciona a estas canções, já por si belas, é arrepiante. O piano apresenta-se em «Fljótavík», com a voz Jonsi a prender-nos logo. Cá dentro vive-se um tremendo conflito emocional. Sentimos alegria, tristeza, desespero e felicidade numa questão de segundos. Sentimo-nos vivos. E sabe tão bem.

«8» é quase como um infinito na vertical e em cima daquele palco entrega-se com uma generosidade assim, infinita… «Von» oferece Jonsi de corpo inteiro, sem instrumento, apenas com a sua voz, mas sempre; sempre com a orquestra a complementar de forma exímia. «Andvari» é maravilhosa. É luz em tempo de trevas e «Starálfur» afina pelo mesmo diapasão, como uma mão estendida.

Entramos na recta final do primeiro set com «Dauðalogn» e «Varðeldur», onde as teclas do piano parecem dialogar entre si, até ao momento em que a corista se junta para um solo que manda qualquer coração duro abaixo.

Intervalo e o som grave, pesado, denso e circular volta a fazer-se ouvir. Aproveitamos para acalmar, para descer um pouco à terra, porque durante uma hora levitámos e, verdade seja dita, sabemos que o vamos voltar a fazer daqui a alguns minutos. Algo que não é particularmente exigente em termos físicos, mas que psicologicamente é.

Arrancamos ao som de «Untitled #1 – Vaka» da obra-prima que é “()”. Desarma-nos. Sentimo-nos pequenos e insignificantes no grande esquema das coisas, mas ao mesmo tempo parte de algo incrível que se desenrola diante dos nossos olhos. «Untitled #3 – Samskeyti» é beleza em estado puro; com o seu crescendo delicado, mas desarmante, com o xilofone a guiar-nos ao clímax.

«Ylur» e «Skel» levam-nos de volta a “Atta”, onde é fácil continuar a sentir aquela deliciosa felicidade agridoce; aquela melancolia meticulosamente doseada.

“()” novamente. «Untitled #5 – Álafoss» com a sua beleza soturna, que nos agarra, mas que ao mesmo tempo nos consegue manter num desconforto, como que inconformados com algo. «Sé lest» é como água cristalina num riacho banhado pelos primeiros raios de sol do dia. É pura. E depois também se deixa levar pela corrente forte, enquanto serpenteia ao longo do seu percurso. Canção riquíssima.

«Ára bátur» e «Hoppípolla» trazem finalmente o coro ao palco e o que acontece nestes minutos é verdadeiramente difícil de colocar em palavras que façam jus ao momento. Há um nó na garganta que não desata. Perdemos momentaneamente a noção de tempo e espaço, porque somos transportados para outro plano de existência, em que nada mais importa.

Termina-se com a pulsante «Avalon».

Takk.

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Fotografia gentilmente cedidas pela Everything is New.



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