FESTin arranca em Lisboa com 60 filmes e os 30 anos da CPLP
A 17.ª edição do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa decorre de 1 a 11 de outubro, entre o Campo Pequeno, o Auditório Camões e o Fórum Lisboa.
Começa esta quinta-feira, 1 de outubro, a 17.ª edição do FESTin – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, que até dia 11 volta a fazer de Lisboa a capital do cinema lusófono. Ao longo de onze dias, o festival exibe 60 filmes no Fórum Lisboa, no Cinema City Campo Pequeno, no Auditório Camões e no espaço Avenidas – Um Teatro em Cada Bairro. A edição deste ano celebra em conjunto os 17 anos do festival e os 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), com uma programação que cruza ficção, documentário, sessões especiais e mostras competitivas.
“Verão da Lata” abre o festival no Campo Pequeno
A sessão de abertura oficial acontece a 1 de outubro, às 21h, no Cinema City Campo Pequeno, com a comédia de ação brasileira “Verão da Lata”, de Santiago Dellape. O filme recupera uma história verídica que marcou o Rio de Janeiro no final dos anos 80: o aparecimento nas praias da cidade de milhares de latas com canábis, lançadas ao mar por traficantes.
No elenco estão Samantha Schmütz, Babu Santana e Humberto Martins. No verão de 1987, o delegado Dantas (Humberto Martins) entrega o caso a dois agentes da Polícia Federal de feitios opostos: Sandra (Samantha Schmütz), uma «tira malandra» viciada no jogo, e Brasa (Babu Santana), o cumpridor do protocolo que nunca prendeu ninguém. As mostras competitivas de longas-metragens, curtas, documentários e cinema infantil estendem-se depois até 11 de outubro.

Documentários sobre identidade, memória e território
O cinema documental ocupa um lugar de destaque nesta edição. Entre as propostas portuguesas está “Mamã Guiné, A Alma da Guiné-Bissau”, de Filipe Traslatti e Maurício Franco (3 de outubro, 17h, Auditório Camões), que acompanha os preparativos do Carnaval Nturudu e celebra a reconstrução da identidade do povo guineense, dividido por etnias e línguas mas unido pela cultura e pelo legado da terra. “Uma Casa com a Rua Lá Dentro”, de André Moniz Vieira (5 de outubro, 19h), junta pessoas em situação de sem-abrigo, profissionais do serviço social e artistas de cinema para transformar fragmentos de vidas reais em curtas-metragens de ficção.
Da competição de documentários fazem também parte o brasileiro “Honestino”, de Aurélio Michiles, sobre o líder estudantil Honestino Guimarães, desaparecido durante a ditadura militar, e “Cartas Para…”, de Vânia Lima, que acompanha a troca de cartas entre as escritoras Paulina Chiziane, Elisa Lucinda e Raquel Lima. Na seleção Mostra Brasil há ainda títulos como “Kopenawa: Sonhar a Terra-Floresta”, sobre o líder yanomami Davi Kopenawa, e “Gonzaguinha, Da Maior Liberdade”, de Susanna Lira.
Angola, Fernanda Abreu e Miguel Falabella
A presença africana afirma-se através de Angola, com “Kahitu”, de Alberto Botelho, integrado na Modalidade Prémio CPLP (6 de outubro, 15h, Auditório Camões). Baseado na obra literária de Uanhenga Xitu, o filme acompanha a vida de uma criança que nasce com uma deficiência física e cresce confrontada com a exclusão, num contexto marcado pelos valores tradicionais, pelos mitos e pelas crenças sobrenaturais.
Entre os grandes momentos está a exibição, fora de competição, do documentário “Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos”, de Paulo Severo, a 10 de outubro, às 21h, no Fórum Lisboa, com a presença da cantora brasileira em Lisboa. O filme parte de material inédito filmado em 1995 durante a gravação do álbum “Da Lata”. O encerramento, a 11 de outubro, às 19h30, no Fórum Lisboa, faz-se com “Querido Mundo”, longa-metragem de Miguel Falabella e Hsu Chien, com Falabella presente para apresentar o filme ao público português. A noite fica ainda marcada por uma homenagem ao ator brasileiro Reginaldo Faria, que também estará em Lisboa para a sessão de “Perto do Sol é Mais Claro”, realizado por Regis Faria (9 de outubro, 20h, Fórum Lisboa).
FESTin Verde e “Verdes Plurais” na Estrela
Fora das salas de cinema, o FESTin Verde ocupa a Casa do Jardim da Estrela com a exposição “Verdes Plurais”, inaugurada a 6 de outubro, às 18h, e patente até 24 de outubro, de terça a sábado, das 10h às 18h, com entrada livre. Concebida para assinalar as três décadas da CPLP, a mostra, com curadoria de ROD e Valdemar Dória, toma as questões ambientais como eixo e propõe pensar a ecologia para além da natureza e da paisagem, explorando as interdependências entre pessoas, territórios e o mundo mais-que-humano.
A exposição reúne artistas de diferentes países da CPLP, entre eles Lino Damião (Angola), Marlene Mandinga (Angola/São Tomé e Príncipe), Yuran Henrique (Cabo Verde), João Carlos Barros (Guiné-Bissau), Osias André (Moçambique), José Narciso e Eva Tomé (Portugal).
Informações práticas
Os bilhetes são gratuitos e devem ser levantados no local de exibição de cada filme. O festival passa pelo Cinema City Campo Pequeno (1 de outubro), pelo Auditório Camões (2 a 8 de outubro), pelo Avenidas – Um Teatro em Cada Bairro (6 a 8 de outubro) e pelo Fórum Lisboa (9 a 11 de outubro). A programação completa está disponível no site oficial do FESTin.
Ao celebrar 17 anos de existência e três décadas de CPLP, o FESTin reafirma o cinema como espaço de encontro entre geografias, culturas e experiências, aproximando públicos e criadores através da língua portuguesa — e da diversidade de histórias que nela continuam a encontrar expressão.
There are no comments
Add yoursTem de iniciar a sessão para publicar um comentário.

Artigos Relacionados